Cerca de 400 a 500 crianças em São Paulo nascem com sífilis congênita anualmente.
A doença pode ser diagnostica em qualquer fase da gestação e é facilmente tratada.
Por Raquel Brandão - Estudante de jornalismo da Universidade São Judas Tadeu
Dois em cada mil recém-nascidos no município de São Paulo são portadores da bactéria Treponema pallidum, da qual a sífilis é decorrente, gerando um quadro de doença congênita. A taxa é inferior a de outras cidades do próprio estado, como Diadema e Santos, ambas com 3,8 casos a cada mil nascidos vivos, mas supera os bons números de países desenvolvidos abaixo de 1 a 0,2%.
Sexualmente transmissível, a sífilis tem alto poder de contágio e se potencializa pelo desconhecimento dos infectados. “O rapaz vê que a ferida que apareceu em seu órgão genital sumiu depois de alguns dias e pensa que está curado. A detecção nas mulheres é ainda pior. Nestes casos, a sífilis não foi superada, ela avançou para seu estágio secundário e apresentará sintomas em cerca de dois anos. Talvez em 30 anos resulte em morte”, explica Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês.
Cerca de 70% dos casos de sífilis congênita precoce, que surge até o segundo ano de vida, é assintomática, porém o recém-nascido pode apresentar prematuridade, baixo peso, doenças de pele, complicações ósseas, paralisia e problemas respiratórios. Há, também, a possibilidade da doença só surgir tardiamente, após os dois anos de vida, com conseqüências para diversos órgãos.
Apesar da taxa de transmissão vertical, de mãe para filho, poder atingir até 100% em casos de sífilis primária, até 40% em secundária, e 10% em fase terciária, a doença é facilmente combatida com acompanhamento médico. “É simples de diagnosticar. Todas as grávidas que fazem acompanhamento pré-natal são submetidas ao exame VDLR (Venereal Diseases Research Laboratories) [teste realizado a partir do exame de sangue com capacidade de detectar a bactéria Treponema]”, diz Neto. O VDRL, muito solicitado em consultas médicas na rede pública e privada de saúde, possui a vantagem de ser um exame barato e de fácil realização.
Em São Paulo, 77% das grávidas realizam seis ou mais consultas médicas de pré-natal, o que é determinante no combate à sífilis. Além do exame, o tratamento também é simples e de baixo custo, resumindo-se basicamente ao uso da penicilina benzatina. “O único problema é que a injeção mata o ‘bichinho’ da mulher, mas não mata o do companheiro e, com a relação sexual, logo a doença volta”, alerta Neto. O plano do Ministério da Saúde de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis na gravidez prevê tratamento também ao parceiro sexual da gestante.
Gonzalo Vecina Neto é professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês
Os dados foram obtidos no segundo semestre de 2011.
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Publicado em 09 de abril de 2012 |
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