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de ansiedade
e irritabilidade, até o surgimento de delírios e ideações suicidas.
As primeiras descrições sobre TPM aparecem em 1931, onde se notava que as
mulheres, na última fase do ciclo menstrual, experimentavam tensão emocional e
desconforto físico. Houve teorias psicológicas para explicar o fenômeno, que
incluíam condições neuróticas, de identidade feminina, conflitos, estressores
etc.
Muitos estudos pesquisam sobre as eventuais causas do transtorno. Atualmente,
o que parece prevalecer é que sejam influências hormonais normais do ciclo
menstrual que interferem no sistema nervoso central. Parece haver uma íntima
relação entre os hormônios sexuais femininos, as endorfinas (substâncias
naturais ligadas a sensação de prazer) e os neurotransmis-sores, tais como a
serotonina.
Em alguns casos, a TPM pode ser resultante de distúrbios orgânicos que
interferem no funcionamento dos ovários, das supra-renais ou de alterações no
funcionamento cerebral. Outras vezes, parece tratar-se da conseqüência de
alguma notável modificação emocional afetiva pois, diversas evidências falam a
favor de uma as-sociação entre a TPM e os transtornos depressivos. E de fato,
ela apresenta-se de forma bastante semelhante à depressão atípica, ou seja,
com humor deprimido, reações excessivas às mudanças do ambiente, hipersonia
(muito sono), aumento de fadiga com predileção por carboidratos, sensibilidade
à rejeição, ansiedade e irritabilidade.
Alguns estudos mostram que, em torno de 80% das mulheres, apresentam algum
tipo de alteração no período pré-menstrual. E em 52% delas os sintomas
interferem drasticamente no humor, no comportamento ou organismo. As
conseqüências emocionais deste distúrbio podem afetar o relacionamento social,
ocupacional e conjugal dessas pessoas; e o maior índice de violência entre as
mulheres está intimamente relacionado ao período Pré-Menstrual.
As principais alterações emocionais são humor depressivo ou instável, podendo
haver mudanças rápidas de atitudes afetivas, como, por exemplo, passar de
chorosa para irritável abruptamente. Há ainda a diminuição da tolerância com
paciência e crises de explosividade a qual-quer momento. Do lado depressivo
pode haver sensação de falta de energia, cansaço exagerado e dificuldade de
concentração. No físico, as principais alterações podem ser dores de cabeça,
nas mamas e juntas, ganho de peso, sensação de estar inchada, insônia ou
sonolência e alterações de apetite. Para se fazer o diagnóstico, é preciso que
a mulher possua os sintomas da TPM na maioria dos ciclos e não apenas em
alguns.
A culpa é dos hormônios
As atuais pesquisas sobre as causas da TPM têm cogitado complexos mecanismos
que envolvem hormônios ovarianos, opióides endógenos (produzidos pelo sistema
nervoso central), neurotransmissores, prostaglandinas, sistema nervoso
autônomo, sistema endócrino, entre outros. Os níveis de estrogênio aumentam
nas três pri-meiras semanas do ciclo, assim como elevam-se também as
endorfinas fisiológicas (substâncias analgésicas pro-duzidas pelo sistema
nervoso central). Esse crescimento é potencializado pelo aumento do hormônio
progesterona seguido da ovulação.
Além de sua contribuição para o bem-estar, as endorfinas também aumentam as
sensações de fadiga, queixadas por mulheres com TPM. Quando os estrógenos e
progesterona diminuem na quarta semana do ciclo, tam-bém abaixa a produção das
endorfinas. É aí que aparecem sinais como ansiedade, tensão, cólicas
abdominais, cefaléia etc. Nota-se que quanto mais uma situação estressante
persiste durante a fase final do ciclo, maior será o descon-forto na TPM.
Também algumas causas ambientais podem estar relacionadas ao transtorno. Entre
elas, ressalta-se o papel da dieta alimentar. Ela parece ter importante
implicação no desenvolvimento dos sintomas como é o caso, por exem-plo, do
chocolate, da cafeína, sucos de frutas e álcool.
Sabe-se também que as alterações hormonais podem provocar uma retenção maior
de líquidos pelo corpo e em todos os órgãos femininos. Alguns autores atribuem
a maioria das alterações observadas na TPM à essa retenção. Acreditam que esse
edema pode ser responsável pelas dores nas mamas, musculares e abdominais,
inchaço das mãos e pés, por alterações metabólicas e do apetite, maior
con-sumo de carboidratos, conseqüentemente pelo eventual aumento do peso e
exagerada vontade de comer chocolates e guloseimas que só pioram o quadro
geral.
A grosso modo, 17% das mulheres com a síndrome apresentam ciclos menstruais
irregulares com duração menor que 26 dias ou maior que 34. Entre essas com TPM,
11% já padecem de algum distúrbio do humor, normalmente de depressão ou
distimia, 5% apresentam transtornos alimentares, do tipo anorexia ou bulimia.
Isso significa que em um bom número de casos, as portadoras mostram,
antecipadamente, algum transtorno afetivo depressivo ou ansioso.
Tratamento
Por se tratar de uma síndrome, não existem tratamentos específicos já que os
sintomas citados anteriormente variam muito de intensidade para cada mulher.
Resultados não cientificamente comprovados mostram que as vitaminas B6 e E,
cálcio e magnésio podem ser usados para a melhora dos sintomas.
Como a TPM está ligada à ovulação, muitas mulheres podem se beneficiar do uso
da pílula anticoncepcional. Na verdade, o melhor caminho é consultar um
ginecologista e descrever para ele todos os sintomas que sente antes e depois
da menstruação.
O importante é que se entenda que esta não é uma doença, mas sim uma alteração
fisiológica do ciclo menstrual e que pode ser resolvida com medidas simples
por parte do seu médico assistente.
Matéria cedida
gentilmente pela
Revista IN
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