Sandra Pericinoto Motta*
Psicóloga clínica CRP06/58129-0

Estar grávida é um momento maravilhoso, com a chegada de um herdeiro, vezes esperado, outras nem tanto. Este bebê vem cheio de idealizações e mudanças para este casal, para esta família. Vem mudar muitas coisas, desde coisas práticas, lugares, como aspectos emocionais e biológicos.

A gravidez é um período de mudanças orgânicas e psíquicas, na qual a mulher passa por crises evolutivas. Vai percebendo mudanças no sono, enjôos, azia, ânsia, entre vários sintomas, mas também percebe a barriga crescer, os “primeiros chutinhos” e assim vai entrando em contato com a gravidez e vai tendo as primeiras interações com o bebê.

Não é só o bebê que tem nove meses para se desenvolver. A mulher tem seus nove meses para começar a criar o vínculo com seu bebê, para entrar em contato e ir se acostumando com a idéia de ser mãe, mesmo não vendo o bebê.

E o pai? Muitas vezes esquecido, mas atualmente querendo e sendo muito participativo, por mais que não tenha mudanças biológicas sentidas em seu próprio corpo, passa por mudanças emocionais. Como dar conta de ser pai? Dividir a esposa com o novo membro da família? Entender e falar sobre esta função paterna, identificar como auxiliar a esposa e o bebê, são questões que podem ser tratadas com a psicóloga. 

Com as gestantes a psicóloga pode falar sobre a relação mãe e bebê não nascido, sobre este vínculo que está se estabelecendo entre ela e o bebê antes mesmo de vê-lo, mas sentindo-o e também na mudança de status que esta mulher terá: de ser filha para ser mãe, de mulher para mãe, passagem esta, que para muitas pode ser complicada. E sobre tudo o que os pais imaginam sobre seus bebês, desde o sexo, o nome à futuras idealizações, falar sobre este bebê imaginário.

É um período de muitas dúvidas, medos, em relação ao parto, se o bebê vai nascer normal e depois de nascido, dúvidas como: “será que vou conseguir amamentar, vou acordar a noite, vou ser uma boa mãe”.

A psicóloga pode explicar às gestantes que tem aspectos relativamente normais destas ambivalências de sentimentos na gestação, mas que é importante se falar destas questões, pois se possibilita um melhor vínculo com este bebê e menos sofrimento para esta futura mamãe cheia de medos, dúvidas e vontade de ter o seu filho nos braços, ver o seu rostinho.

Além disso, a gestação traz um mecanismo do inconsciente, que na psicologia chamamos de transparência psíquica, na qual a gestante lembra-se de fatos gravadas no inconsciente, fatos da infância, lembranças da sua própria mãe e revive questões dela mesma quando bebê.

A psicoterapia é um processo de auto conhecimento, e sendo conhecido as angústias, medos e segredos familiares, pode-se evitar repetições e aliviar sofrimentos e além disso, ajudar nesta tarefa de ser mãe, mulher, esposa, entre outras funções.

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