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Ao final da gravidez em que o
corpo da mamãe trabalhou como uma incrível usina de produção de vida, o bebê,
produto de uma magnífica transformação, vai nascer.
A mamãe precisa saber qual o
momento de ir para a maternidade. Um primeiro alerta de que o trabalho de parto
vai começar é dado pela eliminação do muco, um tampão gelatinoso que vedou
o colo do útero durante a gravidez. Existem outros sinais mais definidos, como
o rompimento da bolsa de água. Depois que ele ocorre, o bebê deve nascer no
prazo de 24 horas, para se evitar o risco de infecção. O começo das contrações,
e a repetição delas em intervalos cada vez menores - de 10 para 5, 3, 2
minutos, sem parar - , é o sinal derradeiro de que o pequenino vem vindo e que
chegou a hora.
Um misto de curiosidade,
preocupação e medo costumam povoar a mente da mulher grávida neste momento tão
importante. É comum, entre outras coisas, o receio de falhar na hora H, não
sabendo como expulsar a criança para fora do útero. Esta preocupação, no
entanto, pode ser afastada se a futura mamãe se preparar durante a gravidez
para enfrentar com tranqüilidade o momento culminante do parto.
O método Léboyer
Na década de 70, o obstetra
francês Fréderick Léboyer, criou um método que pode ser adotado em qualquer
posição que a mulher queira dar à luz. Ele surgiu como uma crítica à forma
violenta em que o bebê era recebido: pendurado de cabeça para baixo e levando
palmadas nas nádegas para respirar, numa sala clara demais e cheia de médicos
e assistentes. Léboyer sustentou que o parto era um processo simples e natural,
portanto deveria ser tratado como tal, ou seja, o bebê seria recebido num
ambiente acolhedor e por poucas pessoas. Em vez de pendurá-lo, o médico
deveria coloca-lo sobre o peito da mãe para ser acariciado e se sentir
protegido. O cordão seria cortado depois desse contato, quando ele já
estivesse respirando por si mesmo, sem palmadas e sem choros. As alterações
que ele introduziu, influenciaram a maneira de como os médicos viam o parto e
ampliaram o poder de escolha das mulheres sobre posições mais confortáveis e
naturais de dar à luz. Mesmo as que se submetem à cesariana, tem o direito de
receber o filho no peito antes que lhe cortem o cordão e o levem para exames.
É melhor relaxar - O bebê
agradece
Desde sair de casa, chegando à
maternidade e durante todo o parto, quando as contrações uterinas ficam mais
fortes e intensas, o bebê continua precisando receber de sua mãe sinais de
segurança e tranqüilidade. Afinal, ele também está passando por momentos
penosos, já que para ultrapassar o estreito caminho da bacia, é obrigado a
efetuar difíceis movimentos com seu corpinho que ainda não está acostumado a
isso. Mas como transmitir segurança e tranqüilidade num momento como esse,
quando as contrações são fortes, intensas, e o desejo de conhecer aquele
pequeno serzinho deixa as mães ansiosas e tensas? Não é difícil. E,
levando-se em consideração que nesse entrosamento mãe/filho depende muito o
bom desenrolar do parto, vale a pena tentar. O simples fato da mamãe estar
consciente da necessidade de se manter calma e relaxada durante todo o trabalho
de parto, já é um importante passo para alcançar este objetivo.
PAPAI! - Preciso de você
Na hora do parto, apenas a
companhia do obstetra e seus assistentes, não deixa a futura mamãe mais tranqüila.
Portanto é imprescindível que mais uma pessoa esteja ao seu lado. O papai.
Infelizmente ainda há maternidades que proíbem a presença do pai na sala de
parto. Mas, quase todas as particulares a permitem. O acompanhamento do pai do
bebê durante o trabalho de parto, além de dar apoio a futura mamãe, permite
com que ele se sinta mais útil, ao contrário do que se estivesse alí fora
esperando pela vinda de seu filho. Além disso, ele terá a vantagem de ser uma
das primeiras pessoas a segurar o pequenino.
Silêncio! - Meu bebê vai nascer
A mamãe, já em posição para
dar à luz, deve receber instruções do obstetra e seus assistentes, sempre em
voz baixa. Desta maneira eles a auxiliam mais do que gritando, deixando-a mais
descontraída. Esta é uma regra que deveria ser seguida com rigor. Na verdade,
mais do que expressões nervosas ditas em voz alta, do tipo Faça força! É
agora! Ajude! Já está nascendo!, a mulher precisa nesse momento, de paciência,
silêncio, compreensão e segurança, para que possa voltar ao seu ritmo próprio
e reequilibrar-se a cada contração mais forte. Este tipo de comportamento, no
entanto, depende muito da equipe médica que vai atende-la.
As várias formas de dar à luz
Em linhas
gerais, há duas maneiras de parto: naturais e operatórios. Os naturais são
aqueles que podem ser feitos sem a intervenção direta do médico. Já os
operatórios necessitam de instrumentos cirúrgicos. Conheça agora, os vários
tipos de parto.
Parto de cócoras
O parto de cócoras, a forma
mais antiga de dar à luz e ainda comum em algumas aldeias indígenas, volta a
conquistar as mulheres urbanas.
É a maneira mais fácil de
expulsar o bebê, pois a gravidade puxa o peso para baixo e colabora no trabalho
de parto, acelerando a dilatação iniciada pelas contrações. A abertura maior
da vagina e da bacia óssea, provocadas pela posição, deixam o canal de parto
desimpedido.
A posição de cócoras também
aumenta a irrigação sangüínea da pélvis e favorece a distribuição da
endorfina na região, um analgésico fabricado pelo próprio organismo da
mulher, durante as contrações, para diminuir a dor. Por isso, na grande
maioria dos casos, não há necessidade de anestesia neste tipo de parto. Não
que ele não doa, mas dói menos e durante menos tempo. Na posição acocorada o
bebê nasce, em média, 40% mais rápido do que nos partos feitos na posição
horizontal.
Como é um parto mais rápido e
que facilita a expulsão, o perigo de uma demora na saída do bebê, que pode
causar falta de oxigenação do seu cérebro e outros traumatismos, fica
descartado. Quando a cabeça aponta, a mãe faz bastante força - aliás, um
desejo inevitável e incontrolável, quando as contrações começam - e a criança
desce. Depois de cortar o cordão umbilical, o médico puxa a placenta, que cai
naturalmente.
Parto na água
A cada dia que passa, mais
mulheres planejam ter seus filhos dessa forma. Como a criança vive, durante
toda a gravidez, no líquido aminiótico, nada mais natural que entre em contato
com o mundo externo através da água.
Uma pergunta, porém, é inevitável:
"Será que meu filho vai se afogar?". A resposta é não. Quando
nasce, o bebê ainda respira pelo cordão umbilical por pelo menos vinte
segundos, durante os quais expande seus pulmõezinhos lentamente. Só quando o
cordão para de pulsar é que se deve tirá-lo da água e colocá-lo no peito da
mãe.
Para que tudo aconteça num
clima de perfeita tranqüilidade, costuma-se preparar a sala de parto com essências
aromáticas, luz branca e músicas escolhidas pela mamãe. A água da piscina é
aquecida à uma temperatura de 36º C, que atenua a dor das contrações. Na
maioria das vezes, não se usa nenhum tipo de anestesia.
Se a mãe está com idéia de
fazer este tipo de parto, deve procurar fazer um curso especializado para
aprender as técnicas de respiração e relaxamento. O pai também deve
participar deste curso, pois no momento do parto, ele irá entrar junto com a
mulher para apoiá-la e massageá-la. Ao médico, resta somente acompanhar
atentamente o desenrolar do trabalho de parto, sem interferir muito. À medida
que aumentam as contrações, é a mulher que determina qual a melhor posição
para expulsar seu filho - em pé, de lado, de quatro, ou mesmo de joelhos.
Parto normal
Após a dilatação do colo do
útero, que pode durar até dezoito horas na primeira gravidez, a gestante é
colocada na posição ginecológica, na mesa de parto, onde o médico controlará
todo o trabalho. Lá ela recebe a anestesia, na maioria das vezes, a peridural,
que inibe a dor mas não tira a sensação das contrações nem o sentido do
tato. Instrumentos e monitores acompanham passo a passo a evolução do trabalho
de parto. A episiotomia, corte no períneo,(região que liga o ânus à vagina)
é uma prática que tem três finalidades: facilitar a passagem do bebê, protegê-lo
contra o desprendimento brusco e preservar os tecidos da vagina. Já sob o
efeito da anestesia, a mulher é orientada pelo médico para fazer força e começa
a expulsar a criança. Quando a cabeça dela aparece, o médico ajuda com as mãos
a puxar o resto do corpo para fora. Depois de nascer, ainda ligada ao cordão
umbilical, a criança é colocada sobre o peito da mãe. Somente após, o médico
corta o cordão e encaminha a criança à sala de reanimação, onde vai passar
pelo primeiro check-up. Enquanto isso, na sala de parto, a placenta é retirada
pelo médico, que aproveita o efeito da anestesia para dar os pontos no períneo.
Parto a fórceps
O tempo em que se pensava que o
uso de f'órceps era sinônimo de trauma e sofrimento, acabou-se. Hoje, esse
instrumento cirúrgico tem um papel inverso, aliviando o trabalho do parto e
poupando desgastes da mãe e do bebê.
Existem cerca de 500 modelos de
fórceps, todos eles compostos de dois ramos (direito e esquerdo) que se dividem
em forma de colher, articulação e cabo. Quando a criança já esta no canal do
parto, mas tem dificuldade para sair, o médico introduz os ramos delicadamente
na vagina, um de cada vez. As duas partes se encaixam nas têmporas do bebê,
que é puxado para fora, ao mesmo tempo que a mãe faz força para expulsá-lo.
Esta técnica é conhecida como fórceps de alívio.
Ao contrário da versão atual,
que só traz benefícios, quem metia medo era a antiga, onde o instrumento
chamado como "Fórceps alto", era introduzido às escuras na vagina e
buscava-se o bebê no útero, provocando sérias lesões que muitas vezes
deixavam graves seqüelas, tanto no bebê como na mãe.
Parto Cesárea
A cesárea,
apesar de ser muito realizada nos dias de hoje, é para situações anormais,
quando não há chance da criança nascer naturalmente.
Na cesárea, após
a anestesia, o médico corta sete camadas de tecido até chegar ao útero e,
através de uma incisão de 10 cm, alargada por um instrumento especial, ele
retira a criança,
corta o cordão umbilical e limpa a cavidade uterina. Após o encaminhamento do
bebê à sala de reanimação, o médico faz as suturas no caminho inverso,
utilizando fios absorvíveis. Apenas o pequeno corte na pele é suturado com
fios de nylon, que serão retirados uma ou duas semanas depois do parto,
dependendo do tipo de sutura.
Se a mulher passar por duas
cesarianas, fatalmente o terceiro parto será uma nova cesariana, pois a
cicatriz uterina não suportaria o esforço de um parto normal.
Alguns dos
motivos que levam os obstetras a optar por uma cesárea, são basicamente os
seguintes:
Cordão
umbilical enrolado no pescoço do bebê.
Esse
é um problema que bloqueia a oxigenação do bebê. Ele é detectado quando
acontece uma desaceleração do batimento cardíaco da criança durante o parto.
Em muitos casos, esse problema pode ser detectado precocemente através de um
ultra-som de rotina.
Prolapso
do cordão umbilical
Quando o cordão surge antes do aparecimento da criança, o parto não pode
prosseguir, pois a cabeça do bebê certamente irá comprimir o cordão e
interromper a oxigenação, já que a mesma é feita através dele.
Deslocamento
prematuro da placenta
Esse problema faz o útero ficar dolorido e contraído o tempo todo, e provoca
um rompimento repentino da oxigenação fetal, sendo necessário realizar a cesárea
imediatamente. Ele é caracterizado por um intenso sangramento vaginal que
ocorre no último trimestre.
Placenta
prévia
É
quando a placenta se situa no segmento inferior do útero, podendo até ficar à
frente do bebê, impedindo sua passagem. Ela ocorre geralmente no 3º
trimestre e é marcada por uma hemorragia com sangue vermelho rutilante. Ao
contrário do descolamento prematuro da placenta, neste caso o útero tem
consistência normal e é indolor.
Sofrimento
fetal agudo, devido à baixas reservas de oxigênio.
Esse
problema pode ser detectado quando há alterações nos batimentos cardíacos do
bebê, que são identificadas por um exame chamado cardiotocografia, feito
durante todo o trabalho de parto. O líquido amniótico também é um
indicativo: Se o bebê entrar em sofrimento, em razão da baixa oxigenação,
pode começar a liberar fezes, fazendo com que o líquido se torne esverdeado.
Infecções
sexualmente transmissíveis
Quando,
em um parto normal, o bebê pode contrair a doença durante a passagem pelo
canal.
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