As infecções maternas agudas apresentam uma elevada incidência em nossa
população. Algumas delas são passíveis de transmissão ao feto, as
chamadas infecções congênitas. Nesta situação existe um risco variável
de problemas para o bebê e uma adequada avaliação pré-natal é necessária
para que danos futuros no seu desenvolvimento não ocorram.
Na maioria dos casos, estas infecções não produzem sintomas e o diagnóstico
é suspeitado através de exames sanguíneos ou durante um exame ultra-sonográfico
na gravidez. Entre as infecções mais comuns durante a gestação, e que
podem trazer transtornos ao bebê, temos:
- Toxoplasmose
- Rubéola
- Citomegalovírus
- Varicela (catapora)
- Parvovírus B19
- HIV (AIDS)
- Sífilis
- Herpes
- Hepatite B
Nem todas as infecções possuem tratamento durante a gestação. Ao mesmo
tempo, algumas delas, como o herpes e a hepatite B, apresentam alta taxa de
transmissão, principalmente durante o parto, e terão suas manifestações
apenas após o nascimento.
Aprenda mais sobre as infecções congênitas
Existem informações extremamente importantes sobre
as infecções durante a gravidez, que você deve saber. Abaixo relacionamos
alguns pontos de interesse sobre estas infecções, enfatizando os aspectos de
prevenção. Conheça-os e ensine-os a outras pessoas.
TOXOPLASMOSE
A toxoplasmose é uma das infecções mais comuns em todo o mundo.
Estima-se que 60% das gestantes brasileiras já tenham contraído a
toxoplasmose antes da gestação. A infecção pode ser adquirida de várias
formas: ingestão de carne mal-passada, água não filtrada e verduras e
legumes lavados de forma inadequada. Entretanto, a maior fonte de transmissão
da infecção é pelo contato com animais (cachorro e, principalmente, com
gatos).
Se adquirida durante a gravidez, a toxoplasmose pode ser transmitida ao bebê.
Quando isso ocorre, a maioria deles permanecem sadios. No entanto, uma pequena
parte apresentará sintomas da doença, que serão mais graves quanto mais
precoce a infecção tiver sido adquirida. No entanto, hoje existem exames que
permitem ao médico saber se o bebê encontra-se infectado ou não, pois há
medicamentos eficazes que permitem tratar a infecção do bebê durante a
gestação, diminuindo a probabilidade de que ocorram problemas graves com
ele.
O exame indicado para o diagnóstico da infecção durante a gravidez
chama-se amniocentese. Trata-se de um exame simples que pode ser realizado a
partir do 4º mês de gestação e permite sabermos, com uma grande segurança,
se o bebê encontra-se infectado ou não.
Fontes
de contaminação materna para toxoplasmose
RUBÉOLA
A rubéola é uma doença viral em geral benigna. Contudo, quando ocorre
durante a gravidez pode ser transmitida ao feto, levando, às vezes, à infecção
grave que se manifesta por morte intra-uterina ou malformações. A difusão
da vacinação tem diminuído a incidência da rubéola congênita, que é
hoje estimada em aproximadamente 4/10.000 gestações. A incidência de casos
clínicos de rubéola é maior na primavera, sendo mais comum em crianças
entre 5 e 9 anos de idade. A transmissão do vírus ocorre através das secreções
respiratórias. Os primeiros sintomas da doença surgem aproximadamente 16
dias após o contato com o vírus e consistem em febre baixa, dor de cabeça,
falta de apetite, coriza, conjuntivite, dor de garganta, e aparecimento de gânglios,
principalmente na região do pescoço. A estes sintomas segue-se a erupção
cutânea característica.
A doença no bebê é mais grave quando adquirida precocemente na gestação.
Durante os primeiros três meses, mais de 80% das infecções maternas por rubéola
são transmitidas ao bebê, com um risco de abortamento de 20% e, quando a
gestação prossegue, o risco de malformação congênita grave é de mais de
90%. O risco de transmissão fetal diminui progressivamente após o 3º mês
sendo que o risco de malformação é praticamente nulo após o 4º mês. A
amniocentese pode ser indicada para o diagnóstico pré-natal da infecção,
embora não exista, até o momento, uma medicação eficaz para o tratamento
desses bebês.
A vacinação é o meio mais eficaz de prevenção da
rubéola congênita!
CITOMEGALOVÍRUS
Trata-se da infecção congênita mais freqüente. Estima-se que no Brasil
entre 0,5% a 6,8% dos bebês nascem contaminados pelo citomegalovírus. Entre
os bebês infectados, 5 a 20% apresentam sintomas ao nascimento (pneumonia,
baixo peso, prematuridade, icterícia neonatal). A infecção pode provocar
problemas permanentes no bebê, principalmente atraso no desenvolvimento e
retardo mental.
A principal fonte de contaminação são as crianças, que adquirem o vírus
em escolas ou creches e o transmitem aos demais membros da família, entre
eles, as gestantes. Infelizmente, ainda não existem medicamentos eficazes
para o tratamento pré-natal dos bebês contaminados pelo citomegalovírus. No
entanto, alguns medicamentos podem ser utilizados logo após o nascimento com
o objetivo de diminuir o risco de problemas permanentes para o bebê.
A transmissão do vírus ao bebê ocorre normalmente como resultado de uma
infecção materna aguda. Caso haja o contato como vírus, confirmado por meio
de exames laboratoriais, o diagnóstico pré-natal da infecção fetal pode
ser feito através da amniocentese, que pode ser realizada a partir do 6º mês
de gestação.
VARICELA (CATAPORA)
Apenas 5% dos casos de catapora ocorrem na idade adulta, fazendo com que a
sua incidência durante a gestação seja extremamente rara, situando-se em
torno de 5 a 7/10.000 gestações.
A gestante é contaminada pelo contato as vesículas ou secreções
respiratórias de pessoas infectadas. Cerca de 14 dias após o contato,
aparecem vesículas na pele, que permanecem por até duas semanas. Nas
gestantes, a pneumonia é a complicação mais grave da varicela, ocorrendo em
até 16% dos casos com uma mortalidade próxima de 40%, caso não haja
tratamento.
A transmissão da infecção para o bebê pode ocorrer em qualquer momento
da gestação. No entanto, somente a varicela adquirida até o 5º mês de
gestação ou alguns dias antes do parto pode provocar problemas no bebê,
principalmente neurológicos e oculares. Por isso recomenda-se a realização
da pesquisa da infecção nesse período, por meio da amniocentese, quando há
possibilidade da infecção materna.
A vacinação é o meio mais eficaz de prevenção da
varicela congênita!
PARVOVÍRUS B19
O parvovírus B19 foi descoberto por acaso em Londres no ano de 1975, porém
apenas 10 anos depois, em 1985 surgiram as primeiras descrições sobre as
conseqüências dessa infecção durante a gestação.
O vírus é encontrado com freqüência em crianças em idade escolar e
apresenta maior transmissão durante o inverno e verão. A principal via de
contaminação é a secreção respiratória. As mulheres que trabalham fora
de casa, principalmente em escolas ou lugares onde existe um contato estreito
com crianças apresentam risco maior de adquirirem a infecção.
Habitualmente, a infecção não produz sintomas nas gestantes. Entretanto,
quando eles ocorrem, normalmente são inespecíficos sendo facilmente
confundidos com gripe ou resfriados.
A transmissão da infecção para o bebê pode ocorrer em qualquer momento
da gestação e as conseqüências são diversas. Na grande maioria dos casos
a infecção não é transmitida ao bebê (mais de 80% dessas gestantes têm
crianças saudáveis). No entanto, uma pequena porcentagem dos bebês
apresenta sintomas da doença, que pode variar desde uma anemia discreta até
quadros mais graves.
A possibilidade de tratamento pré-natal, realizado por meio de transfusões
sanguíneas intra-uterinas, torna o diagnóstico pré-natal da infecção de
fundamental importância. Como a infecção materna passa normalmente
desapercebida, a infecção fetal é suspeitada pelo aparecimento de alterações
no exame de ultra-som de rotina, principalmente edema generalizado no bebê.
Nessas circunstâncias recomenda-se a realização da pesquisa da infecção
por meio da amniocentese e avaliação do estado do bebê por meio da
cordocentese.
DST´s (AIDS, SÍFILIS, HERPES)
Não existem vacinas que previnam as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST),
por isso é importante saber como evitá-las.
- usar sempre a camisinha;
- procurar ter apenas um parceiro sexual;
- fazer exames periódicos;
- não fazer sexo sem camisinha;
- evitar contato com esperma ou secreção vaginal;
- evitar contato com sangue de pessoa infectada;
- não usar roupas íntimas e/ou toalhas de pessoas infectadas;
- procurar um médico imediatamente se perceber sintomas incomuns (febre
persistente, erupções no corpo e nos genitais, etc).
AIDS
A AIDS tornou-se uma epidemia mundial que tem crescido em níveis
alarmantes, principalmente entre as mulheres. Os sinais e sintomas da infecção
durante a gestação são altamente inespecíficos, sendo comuns a vários
tipos de infecção. O diagnóstico laboratorial é realizado por dois exames
que utilizam metodologias diferentes. Atualmente, o teste anti-HIV faz parte
da rotina de exames solicitados durante o pré-natal, o que tem contribuído
para a diminuição do número de casos de transmissão congênita.
Outro passo fundamental na diminuição do número de bebês infectados foi
o uso de medicamentos durante a gestação. Utilizados isoladamente ou em
associação, têm permitido diminuir o risco de passagem do vírus para o bebê
de 60% para apenas 4%. Além disso, a escolha da via de parto mais adequada
para cada gestantes (parto normal ou cesariana) e a proibição da amamentação
também têm sido fatores importantes na prevenção da contaminação desses
bebês.
Não há como realizar o diagnóstico da infecção no bebê durante a
gestação, uma vez que a amniocentese poderia aumentar o risco de infecção.
Dessa forma, a confirmação do diagnóstico é realizada somente após o
parto, por meio de acompanhamento pediátrico e exames laboratoriais.
SÍFILIS
A sífilis é uma doença endêmica causada por uma bactéria frágil, o
Treponema pallidum. Sua transmissão é predominante por via sexual, embora
raros casos de transmissão por meio de transfusões sanguíneas possam
ocorrer.
A sífilis é classificada em recente (até 1 ano) e tardia (após 1 ano).
Em ambos os casos, o risco de transmissão da doença para o bebê é
extremamente elevado (chegando a 90%), principalmente em gestantes com sífilis
recente.
O tratamento da doença de forma adequada na gestação reduz o risco de
transmissão da doença ao bebê para 1,5%.
O exame para a sífilis, denominado VDRL, faz parte da rotina de exames pré-natais
no Brasil. É solicitado regularmente durante a gestação (a cada trimestre)
e, caso o resultado seja positivo, inicia-se o tratamento da gestante e a
avaliação do parceiro. Além disso, exames ultra-sonográficos são
realizados regularmente para atestar o bem-estar do bebê.
A melhor forma de tratamento da sífilis congênita
é a prevenção, por isso não se descuide!
HERPES
Existem dois tipos de vírus do herpes que acometem o homem: o tipo I,
normalmente adquirido na infância e que produz lesões na boca e nariz; e o
tipo II, que geralmente é adquirido por via sexual, levando a lesões na região
genital.
Como não existe desenvolvimento de imunidade eficaz para o vírus do
herpes, ele se mantém em estado de latência no organismo podendo reativar
caso haja queda na imunidade, como ocorre na gestação. Durante a gravidez, a
reativação do vírus do herpes é mais comum que a infecção primária, com
o surgimento de lesões herpéticas na região genital.
A infecção do bebê pode ocorrer em qualquer momento da gravidez. A
transmissão transplacentária é rara. Quando ocorre na primeira metade da
gestação costuma levar a abortamento. O meio de transmissão mais freqüente
é pelo contato do bebê com o vírus presente na vagina no colo uterino
durante o parto. Assim, estima-se que nos partos realizados por via vaginal de
mães com infecção primária, acima de 50% das crianças podem desenvolver
manifestações clínicas do vírus. No entanto, esse risco é reduzido para
5% quando há reativação de uma infecção materna vaginal.
HEPATITE B
A incidência da hepatite B aguda na gestação é de aproximadamente 0,5%.
O Bebê pode adquirir a infecção de gestantes que apresentam a infecção
aguda ou que são portadoras crônicas do vírus da hepatite. O exame para
identificar essas pacientes faz parte da rotina de pré-natal no Brasil.
A transmissão transplacentária pode ocorrer durante um episódio agudo de
hepatite materna ou nos casos de gestantes portadoras crônicas do vírus. O
risco de transmissão para o bebê é pequeno no primeiro e segundo trimestre
da gestação, porém é alto após o 7º mês. Outras vias de contaminação
são o contato com sangue materno ou secreções vaginais contaminadas durante
o parto ou através do leite materno.
Não existem relatos de diagnóstico pré-natal da infecção fetal. No
entanto, a identificação de gestantes com hepatite B aguda e/ou portadoras
do vírus é de extrema importância, direcionando o tratamento imediato do
bebê, com o objetivo de diminuir as chances de que ele se torne um portador
crônico do vírus.
A vacina contra a hepatite B é altamente eficaz e pode ser facilmente
encontrada, até em serviços públicos de saúde. São administradas três
doses assegurando uma imunidade permanente. Por ser produzida através de
engenharia genética, pode ser administrada a gestantes sem qualquer risco.
Matéria cedida gentilmente pela SONNUS - Medicina Fetal