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A incompetência istmo-cervical é um termo que se refere a uma diminuição da consistência do colo uterino, a porção do útero que mantém o feto em ambiente seguro durante a gravidez. O colo uterino é o canal de comunicação entre a cavidade do útero e a vagina, apresentando um formato cilíndrico com aproximadamente 4 cm de comprimento.
O colo uterino é composto principalmente por tecido colágeno denso, quase como uma cartilagem, resistente a pressões sobre ele. Em algumas circunstâncias, este colágeno torna-se enfraquecido, e o colo uterino, que deveria dilatar-se apenas próximo ao 9º mês, permite um encurtamento que propicia um parto prematuro.
Até há poucos anos atrás, a incompetência istmo-cervical era tratada como um problema obstétrico que levaria a perdas gestacionais silenciosas, sem contrações uterinas. Esta perda aconteceria próximo ao 5º e 6º mês, antes da viabilidade do feto.
O parto prematuro, ao contrário, seria iniciado por contrações uterinas que levariam, secundariamente, à dilatação do colo uterino e descido do feto. Atualmente estes conceitos estão sendo negados, e sabe-se que a relação entre encurtamento cervical e parto prematuro é muito mais estreita que se imaginava. Assim, a dilatação e encurtamento do colo devem ser pesquisados em pacientes consideradas em grupo de risco:
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História de cirurgia envolvendo o colo uterino (biópsia cônica, amputação,
histeroscopias);
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História de perda gestacional precoce, anterior a 26 semanas;
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História de qualquer tipo de parto anterior a 32 semanas, na ausência de causa fetal;
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História de trauma cervical durante parto anterior
Atualmente, sugere-se a monitorização do colo uterino em gestações de risco, incluindo as gestações múltiplas. Nestas gravidezes, o peso fetal aumentado é transmitido ao colo, forçando dilatação precoce. Esta é uma das razões sobre a redução da duração de gravidezes com mais de um feto.
A ultra-sonografia transvaginal permite visualização direta do colo, medindo seu comprimento com grande acurácia. A medida seriada do comprimento do colo uterino possibilita a identificação de parte da população obstétrica em risco de parto prematuro. A utilização deste método é recomendada pelo Colégio Americano de Ginecologistas e Obstetras (ACOG, Practice bulletin no. 31, 2002).
A cerclagem do colo uterino é um procedimento cirúrgico realizado por via vaginal, com o objetivo de reforçar o colo uterino. Um fio cirúrgico é colocado ao redor do colo, dificultando uma dilatação adicional do seu orifício. Este fio é mantido nesta posição até o início do parto, quando deve ser retirado em um procedimento simples.
A medida do comprimento cervical a partir de qual a cerclagem deve ser realizada é de 25 mm. A partir deste ponto, a gestante encontra-se em risco aumentado até 6 vezes de parto prematuro. O tratamento ideal para este evento ainda é controverso, visto que nenhuma terapia, clínica ou cirúrgica, é capaz de evitar de modo completamente eficaz o nascimento prematuro, e suas conseqüências ao recém-nascido.
Matéria cedida gentilmente pela SONNUS - Medicina Fetal
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