De certa maneira, a futura mamãe
mostra um entusiasmo descabido ao conversar com a amiga. Acha que "a
barriga está muito grande", por isso acredita que terá gêmeos,
alegrando-se com a idéia de "economizar" uma gravidez gerando outro
bebê ao mesmo tempo. No entanto, nem sempre o tamanho do abdome é indicação
segura de gravidez gemelar. Mesmo que seja, o obstetra só terá a confirmação
do diagnóstico após fazer alguns exames. Por outro lado, algumas parturientes
assustam-se com o fato de estarem grávidas
de gêmeos, embora na maior parte dos casos os bebês nascem perfeitamente
saudáveis.
Quando
há dois ou mais fetos alojados no útero, a placenta ou é dupla ou tem o
dobro do tamanho. Neste tipo de gestação
a gestante terá de
enfrentar incômodos e desequilíbrios sensivelmente maiores que numa gravidez
simples. O aumento do volume do abdome é bem maior e, em conseqüência, há um
exagero em todas as alterações orgânicas típicas da gravidez. Por exemplo, o
retorno do sangue venoso dos membros inferiores torna-se mais difícil,
aumentando a tendência a varizes, "inchaço" dos pés e pernas,
"formigamento", câimbras e outros sinais característicos da
dificuldade de circulação. O útero pressiona muito mais as vísceras do
abdome; com isso, a digestão é mais difícil e há uma maior predisposição a
náuseas e vômitos. Ao mesmo tempo, a compressão da parede muscular que separa
o tórax do abdome (diafragma) também provoca alterações dos aparelhos
respiratório e circulatório, provocando mais falta de ar, palpitação e cansaço.
Um outro aspecto importante da gestação gemelar, é que os sintomas característicos
da gravidez, como alteração na postura, desconforto abdominal e pélvico,
dores na coluna e movimentação
dos bebês, além dos descritos acima, surgem mais cedo e são mais
intensos.
Como a tolerância do organismo materno
é menor na gestação gemelar, a predisposição para partos prematuros
aumenta, e a principal preocupação dos obstetras, é procurar evitar que os
bebês nasçam muito cedo. Sendo assim, aproximadamente a partir da 24ª semana,
o repouso absoluto é quase que obrigatório e o regime de vida da gestante deve
ser acompanhado com rigor, pois esforços físicos, viagens longas e mesmo o
coito, podem representar um estimulo capaz de provocar o parto prematuro. Por
isso que se diz que uma gravidez gemelar é considerada de risco. Além disso, a
gestante deve fazer, durante toda a gestação, uma dieta hipercalórica,
combinada com um rígido controle de peso, para não engordar mais que 12 a 15
quilos. As consultas pré-natais, assim como os exames de sangue e urina, devem
ser mais freqüentes, pois o obstetra também tem que controlar a pressão
arterial e diagnosticar precocemente o aparecimento da diabete gestacional e de
anemia, que é mais freqüente na gravidez gemelar, em razão do aumento da rede
vascular e da síntese das células sanguíneas que levam ao esgotamento das
reservas de ferro da mãe.
Qualquer que tenha sido a escolha do
tipo de parto (vaginal ou cesariana), é sempre recomendado o uso de anestesia
peridural e durante o parto, os batimentos cardíacos dos bebês serão
monitorados pelos médicos. Em 80 por cento dos casos de gravidez gemelar, a
gestação dura, em média, 21 dias a menos que a gestação única e a maioria
dos gêmeos vêm ao mundo com um intervalo de alguns minutos, mas, em casos mais
raros, pode acontecer de um nascer horas ou até mesmo dias depois do outro. Ao
nascerem, um deles sempre pesa mais e a média de peso no nascimento é de 2,5 a
2,7 quilos.
Embora os riscos estejam mais presentes
na gravidez gemelar, um bom acompanhamento pré-natal, com certeza fará dela
uma aventura inesquecível e uma emoção em dobro.