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Graças ao avanço da medicina,
algumas doenças, que antigamente proibiam a gravidez, já podem ser tratadas ou
controladas, possibilitando à mãe gerar seu filho. Contudo, a mulher que
pretende engravidar e que é portadora de alguma doença, deve antes consultar
um médico para que ele possa avaliar a situação, dizer se a gravidez é
aconselhável ou não e quais são os cuidados que ela deve tomar durante toda a
gestação. Após a mulher portadora de uma doença engravidar, será necessário
haver um acompanhamento paralelo de outro especialista, além do obstetra. A
diabética, por exemplo, será assistida durante os nove meses por um
endocrinologista.
As doenças que geralmente
representam perigo durante a gravidez são:
A Anemia
Em mulheres grávidas, a anemia
é geralmente causada devido ao baixo nível de ferro (mineral importantíssimo
na produção das células vermelhas) e carência de ácido fólico, o que acaba
gerando uma redução da concentração de hemoglobina no sangue. A Hemoglobina
é um tipo de proteína localizada nas células vermelhas, que têm um papel
crucial no transporte de oxigênio para os tecidos do corpo. As concentrações
de hemoglobina tendem a diminuir durante a gravidez em razão do aumento de
volume do sangue. Portanto, para que a gestante e o bebê não fiquem
prejudicados, é necessário uma alimentação correta, com uma dieta rica em
proteínas e ferro.
A anemia pode causar na
gestante, cansaço excessivo, fraqueza, palpitações, tensão, vertigem,
tonturas, desmaios e palidez, além de deixá-la mais suscetível a outras doenças.
A maior incidência de casos de
anemia, associada à insuficiência de ferro e ácido fólico, ocorre em
mulheres que têm pouca ou nenhuma assistência pré-natal e também em mulheres
com baixa nutrição.
Caso a mulher esteja anêmica,
com certeza este distúrbio clínico será detectado através do exame de sangue
solicitado na primeira consulta do pré-natal. Mas mesmo que o resultado deste
primeiro exame for negativo, durante os nove meses novos exames serão
solicitados, pois no decorrer da gravidez pode surgir uma ligeira anemia em razão
do aumento do volume de sangue, o que é perfeitamente normal. Na verdade, a
anemia surge geralmente após a 20ª semana de gravidez.
O tratamento da anemia consiste
em medicamentos que aumentam as concentrações de hemoglobina, levando-as aos níveis
normais. Caso a anemia continue se desenvolvendo, mesmo com o tratamento, será
necessário aumentar a dosagem.
As Doenças
do Coração
Durante a gravidez, o coração
da mamãe é obrigado a trabalhar mais que o normal, a fim de suprir as
necessidades do bebê. Se ela possui alguma doença do coração, como por
exemplo, insuficiência cardíaca ou febre reumática, a quantidade de sangue
que chega até a placenta é menor, o que significa também, menos oxigênio
para o bebê. Antigamente, as doenças do coração tornavam a gravidez
proibitiva. Hoje, com os recursos avançados da medicina, já é possível
controlar algumas delas e também realizar uma cirurgia na mamãe (caso necessário)
sem prejudicar o bebê. No entanto, o ideal é corrigir qualquer problema antes
de engravidar.
É importante saber, que mesmo
em mulheres que não tem problemas cardíacos, a gravidez pode causar o
aparecimento de determinadas alterações como, arritmias (batimentos cardíacos
irregulares), palpitações e etc., que devem ser monitoradas.
A
Diabetes
A diabetes é uma doença que
surge em razão da deficiência na produção ou utilização da insulina, que
é o hormônio responsável pelo controle
dos níveis de açúcar (glicose) do organismo. Quando a mulher sofre de
diabetes, significa que seus níveis de açúcar estão elevados, o que provoca
alterações nas paredes das artérias, prejudicando a condução do sangue até
a placenta. Além disso, uma diabetes mal controlada durante a gravidez, pode
fazer com que o bebê nasça maior e mais pesado devido ao excesso de açúcar
que recebeu quando estava dentro da mãe.
Os freqüentes exames
solicitados pelo médico para medir os níveis de glicose em gestantes diabéticas,
são para controle da doença. Já, em gestante que nunca a tiveram, eles são
feitos como prevenção, pois elas podem apresentar uma elevação dos níveis
de açúcar durante a gravidez, desenvolvendo a chamada "diabetes
gestacional", que geralmente aparece na segunda metade da gravidez e que
deverá ser controlada até o parto, quando depois sumirá. Mas não basta
apenas o médico fazer sua parte. A mulher também tem que colaborar fazendo uma
correta dieta e evitando ao máximo refrigerantes, doces e principalmente o álcool.
A Hipertensão
A pressão muito alta provoca
estreitamento das artérias, dificultando a nutrição e a oxigenação do feto.
Por isso, a gestante hipertensa deve ter sua pressão controlada de perto pelo médico,
evitando assim maiores conseqüências. Além disso, toda mulher hipertensa deve
comunicar seu médico quando pretende engravidar, pois ele irá verificar se os
medicamentos utilizados por ela não são prejudiciais ao futuro bebê.
A gravidez também pode fazer
com que algumas mulheres que nunca tiveram tal problema, apresentem a chamada
"hipertensão gravídica", que surge geralmente após a 20ª semana.
Normalmente, as gestantes afetadas são as que estão gerando gêmeos, as diabéticas,
as doentes renais e as que têm mais 40 anos de idade. Neste caso, a pressão têm
que ser medida regularmente, e qualquer alteração súbita que surgir, o médico
deve ser imediatamente informado.
As Doenças
dos rins
Os rins são os
órgãos responsáveis pela filtragem do sangue e controle do volume de líquidos,
mantendo sempre um equilíbrio perfeito do organismo. Eles eliminam os resíduos
e excessos de açucares, gorduras e proteínas.
Quando os rins
não funcionam bem, passam a reter substâncias tóxicas no organismo, o que é
perigoso. Portanto, as disfunções e afecções renais devem ser combatidas
prontamente. Os principais sintomas que indicam algum problema renal, são as
dores nas costas, inchaços (edemas) e mudança da cor, cheiro e volume da
urina. Nos casos de doenças renais crônicas, além dos sintomas característicos,
pode surgir a hipertensão, que também deverá ser controlada de perto pelo médico.
As Doenças
do pulmão
Qualquer gestante que sofre de
uma doença do pulmão, deve ser monitorada de perto pelo médico durante toda a
gravidez.
Nos casos de tuberculose e
enfisema pulmonar, por exemplo, a entrada de oxigênio fica bastante reduzida,
prejudicando o feto. Já nos casos de hipertensão pulmonar (não confunda com
hipertensão arterial), que é provocada pela elevada pressão de sangue nos
vasos pulmonares, a gravidez é contra-indica.
A asma, por sua vez, é uma
doença respiratória que obstrui as vias por onde passa o oxigênio, o que
dificulta, em maior ou menor grau, a respiração. Esta é uma doença que pode
ser causada por uma infecção, por reações alérgicas devido à exposição
à alguns produtos químicos e à poeira, por medicamentos e outros fatores.
Durante a gravidez, a gestante
asmática deve tomar algumas precauções, como evitar o contato com o fumo,
poeira, pelos e penas de animais, flores e outras elementos que lhe causam as
crises e também, seguir fielmente as orientações do médico. Caso precise
fazer viagens de carro, cujo o trajeto é por estradas de terra, é conveniente
fechar os vidros e as entradas de ar, pois assim não corre o risco de respirar
a poeira formada ali. Os objetos que retêm poeira (tapetes, almofadas,
cortinas, bichos de pelúcia e etc), por sua vez, devem ser removidos dos locais
onde a gestante permanece por muito tempo.
As Infecções
Ao passar pelo canal do parto e
tomar contato com o colo do útero e a vagina, que contêm bactérias, o bebê
está arriscado a contrair alguma infecção. Pode também ser infectado pela mãe,
durante a gravidez, com rubéola, sífilis, aids, toxoplasmose ou doença de
chagas. Em qualquer um destes casos, o bebê é levado à UTI logo após o parto
e tratado com antibióticos e com um rigoroso controle da respiração, da
temperatura e das perdas que ele tem através de diarréias, vômitos e secreções.
A Pré-eclampsia
A pré-eclampsia surge
normalmente em torno da 20ª e 24ª semanas de gestação e é caracterizada
pela pressão alta, edemas, alterações nos reflexos musculares, presença
anormal de proteínas na urina e ganho de peso rápido e progressivo
(aproximadamente 1 quilograma por semana) devido à retenção anormal de fluídos
em lugar da acumulação de gordura, e em casos mais severos, podem surgir dores
de cabeça, inchaços nas mãos e pernas, problemas de visão e dor no abdômen.
Se esta doença não for
tratada, pode evoluir para uma situação mais grave, a Eclampsia, onde existe o
risco de ocorrer alterações da coagulação do sangue, problemas do fígado,
convulsões e até mesmo, em casos raros, a morte da mãe ou do bebê.
A pré-eclampsia é uma desordem, que pode ser verificada em cerca de 5% a 8% de
todas as gestações. Os fatores de risco para o desenvolvimento da pré-eclampsia
incluem, gravidez múltipla (dois ou mais fetos), diabetes, hipertensão, doenças
renais e história familiar (casos de pré-eclampsia na família). Ela é mais
comum em adolescentes e em mulheres com mais de 35 anos de idade, e 85% dos
casos acontecem na primeira gravidez.
Gestantes
que desenvolvem a pré-eclampsia, não têm nenhum sintoma no princípio, mas
quando eles aparecem, a doença já está avançada. Por este motivo é que a
pressão sangüínea é conferida em todas as visitas ao obstetra.
A diagnose da pré-eclampsia começa quando a pressão sangüínea for elevada e
constante durante um certo tempo. Porém, se este for o único sintoma, não
quer dizer necessariamente que a gestante está com a doença, pois pode se
tratar de uma "hipertensão gravídica".
Além da pressão alta, a presença da pré-eclampsia é diagnosticada através
do exame de urina, que detecta as altas taxas de proteína na urina. O médico
também pode solicitar alguns exames de sangue para ver como está o fígado e o
funcionamento dos rins, e também, se o número de plaquetas (que são necessárias
para o sangue coagular) está normal.
Um caso moderado de pré- eclampsia pode ser tratado em casa. A gestante será
aconselhada a ficar de cama pelo resto da gravidez e fazer uma dieta balanceada.
As visitas ao médico serão mais freqüentes, onde serão feitos exames de
sangue e de urina, além da medição da pressão sangüínea e inspeção do
estado do bebê.
Nos
casos mais severos, onde surgem as cefaléias, inchaços nas mãos e pernas,
problemas de visão e dor no abdômen, será necessário uma permanência no
hospital. Durante este tempo serão feitos testes para verificar se o bebê está
bem, além de ultra-sonografias, que têm a finalidade de medir o volume de líquido
amniótico. Estando o volume muito baixo, é sinal que fornecimento de sangue
para o bebê foi inadequado, e pode ser necessário realizar o parto induzido.
Quando isto acontecer, devem ser pesados os riscos
de um nascimento prematuro, pois o bebê pode não estar pronto fisicamente para
vir ao mundo. Antes de ser tomada a decisão, uma amniocentese pode ser
realizada para verificar se os pulmões do bebê estão completamente
amadurecidos. Porém, se a mãe estiver correndo algum tipo de perigo, o parto
pode ser necessário antes mesmo que os pulmões do bebê estejam prontos para a
vida extra-uterina.
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