O Tubo neural é constituído pelos segmentos do organismo que originam o eixo central do sistema nervoso, na cabeça e coluna vertebral do feto.
O desenvolvimento adequado desta estrutura é fundamental para que o sistema nervoso termine sua formação de modo completo.

O tubo neural é formado por uma dobra de tecido embrionário chamado ectoderma, que fecha sobre si mesmo entre 
21 e 28 dias após a concepção, época em que a maioria das mulheres nem disconfiam de que estão grávidas. Este processo faz com que os feixes nervosos fiquem protegidos dentro da coluna vertebral e dos ossos do crânio.

Em alguns fetos, este fechamento pode acontecer de modo incompleto, permanecendo uma abertura óssea por onde terminações nervosas se exteriorizam, protegidas da ação do líquido amniótico apenas por uma camada de pele ou membrana. Esta alteração da formação normal do feto é chamada “defeito do fechamento do tubo neural (DTN)”, e conhecida popularmente por “espinha bífida”.

O defeito do tubo neural pode se apresentar das seguintes formas:

  • Quando a extremidade superior do tubo neural não se fecha, o feto apresenta malformações no cérebro e calota craniana. Estas malformações são conhecidas como anencefalia e encefalocele. A anencelalia pode ser definida como a ausência completa da calota craniana acima do nível dos olhos. Já a encefalocele é caracterizada por defeitos na formação óssea da calota craniana, por onde podem herniar meninge, medula e até mesmo partes do cérebro.
     

  • Quando a extremidade inferior do tubo neural não se fecha, ocorrem malformações na coluna vertebral, conhecidas como espinha bífida, meningocele ou meningo-mielocele, geralmente localizadas na região lombar e/ou sacral. Além da coluna, o defeito atinge também os músculos e a pele que recobre a coluna. O resultado é a exposição do conteúdo do canal medular ao líquido amniótico e lesões neurológicas em proporção elevada de casos.
    Devido à esta lesão de nervos, pode ocorrer
    uma paralisia da parte inferior do corpo e perda do controle das funções instestinais e da bexiga, levando a incontinências urinárias e fecais.

A hidrocefalia é outra complicação freqüente, decorrente da alteração das pressões de líquido cefalorraquidiano, levando a acúmulo do líquido no interior do cérebro.

O evento “espinha bífida” pode ocorrer em qualquer família, independente do passado de problemas congênitos. Qualquer gestante carrega um risco aproximado de 1:1.000 de desenvolver o problema durante uma gravidez.
A redução da incidência dos defeitos do fechamento do tubo neural pode ser conseguida através da ingestão de suplementos vitamínicos no período pré-natal. Estudos científicos mostraram que a ingestão de folato (ácido fólico) no período pré-concepcional), por três meses, até o final do período de fechamento do tubo neural, é capaz de reduzir significativamente a incidência da doença.

O ácido fólico é uma vitamina que faz parte do complexo B. É um composto necessário tanto para a síntese de ácidos nucleicos (e, portanto, para a fabricação de proteínas e formação dos tecidos do corpo), como para a formação da molécula de hemoglobina (contida nos glóbulos vermelhos do sangue e, essencialmente, a molécula que transporta o oxigênio e gás carbônico nos tecidos).
O ácido fólico pode ser encontrado em muitos alimentos e também em forma de comprimidos.
Embora boas fontes de ácido fólico sejam os grãos (pão de trigo integral, por exemplo), os vegetais verde escuros, como espinafre e brócolis, as carnes (em especial o fígado), a cenoura, o aspargo, o feijão e a lentilha, a gema de ovo,  sucos e frutas cítricas e etc, uma dieta alimentar com estes alimentos, que proporciona cerca 0,1 mg de ácido fólico por dia, é relativamente ineficaz para aumentar os níveis de folato nos glóbulos vermelhos. Sendo assim, é necessário que toda mulher aumente seus níveis de folato quando planeja uma gravidez ou quando está em idade fértil, quando utiliza medicações que interferem com os níveis de folato no organismo (por exemplo, anticonvulsivantes), se tiver diabetes ou epilepsia, se houver história de defeitos do tubo neural em sua família, ou se ela já teve uma gravidez afetada por um defeito no tubo neural.

Para todas as mulheres, a dose recomendada é de no mínimo 4 mg de ácido fólico, na forma de suplemento vitamínico, por dia.

É IMPORTANTE LEMBRAR QUE
O USO TARDIO DESTE SUPLEMENTO VITAMÍNICO, OU SEJA, DEPOIS QUE O TUBO NEURAL JÁ SE FECHOU, É OBVIAMENTE INEFICAZ PARA PREVENIR DEFEITOS DO TUBO NEURAL.

O aumento da ingestão de folato na dieta também reduz a incidência de doenças isquêmicas cardíacas (por exemplo, infarto do miocárdio). Existe evidência, ainda, da redução da incidência de fissuras labiais e palatinas (popularmente conhecidas como "lábio leporino"). O estudo mais recente sobre ingestão de ácido fólico na gravidez, publicado em dezembro de 2001 no respeitado periódico inglês "The Lancet", sugere que a ingestão de suplementos contendo ácido fólico e ferro durante toda a gestação, reduz a incidência de leucemia linfoblástica aguda na infância.

O diagnóstico pré-natal pode ser realizado já no 3º mês de gestação, nos casos mais graves. Com o desenvolvimento fetal, e subseqüente crescimento do sistema nervoso, a maioria dos defeitos torna-se identificável ao ultra-som a partir da 18ª semana de gravidez. É importante saber que 10% dos defeitos são ditos “fechados”, recobertos por pele, e muitas vezes de difícil visualização pré-natal. A maioria destes casos vai ser suspeitada por alterações secundárias na anatomia cerebral.

O diagnóstico também pode ser suspeitado através de uma dosagem sangüínea na mãe, por volta da 16ª semana de gestação. Uma proteína produzida pelo bebê, chamada alfa-fetoproteína, está aumentada no sangue materno na maioria dos casos de defeito de fechamento do tubo neural. Nesta situação, o diagnóstico é confirmado pela dosagem da mesma proteína no liquido amniótico, através de uma amniocentese. Em todo caso, a visualização do defeito na segunda metade da gestação, através da ultra-sonografia, confirma o diagnóstico pré-natal.

O acompanhamento pré-natal orienta o melhor momento para o parto, principalmente nos quadros onde a hidrocefalia progride a níveis acentuados, elevando os riscos de seqüelas definitivas. A rotura espontânea da membrana intra-útero é rara, devendo os cuidados serem mantidos para o momento do parto, devido aos traumas diretos na ferida.

Durante o acompanhamento especializado, o neurocirurgião pediátrico é contatado, a localização, o tamanho e as lesões secundárias são discutidas, possibilitando uma adequada conduta clínica. Durante o parto, toda a equipe assistente já está ciente do quadro apresentado, encurtando o período de avaliação pré-cirúrgica e os riscos infecciosos.

O tratamento cirúrgico intra-útero já está sendo realizado em países europeus e nos Estados Unidos, com resultados promissores. A foto abaixo, divulgada amplamente na Internet no ano de 2001, exibe um caso de cirurgia fetal na 21ª semana de vida, correspondente ao 5º mês de gestação.

Apesar dos progressos na avaliação dos casos de defeito de fechamento do tubo neural, o prognóstico é bastante variável. Nos casos de anencefalia, o bebê é considerado inviável, e a manutenção da gravidez visa apenas a entrada da gestante em programas de doação de órgãos, que se encontra em fase tímida no Brasil.

Nos quadros de encefalocele, o prognóstico depende da quantidade de tecido nervoso que exterioriza através do defeito ósseo, bem como da localização do mesmo no crânio. Seqüelas neurológicas são bastante comuns nestes casos.

O prognóstico da espinha bífida é bastante variável, em um espectro que compreende casos com péssimo resultado neurológico, até pessoas que guardarão apenas na lembrança o fato de terem, elas mesmas, um defeito congênito operado precocemente.

Um programa de atendimento integral é oferecido à família, composto por fetólogos, psicólogos, fisioterapeutas, urologistas, neurologistas e neurocirurgiões, ampliando as possibilidades do bebê.

O ácido fólico é um suplemento vitamínico barato, sem riscos e comprovadamente eficaz.
Procure seu ginecologista e peça a sua prescrição.
Só inicie qualquer tipo de tratamento após consultar o seu médico.

 

 

 

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