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Durante toda a infância da
menina, o aparelho genital não manifesta nenhuma de suas funções específicas.
Só na adolescência é que irão surgir alterações cíclicas do aparelho
genital, com profundos reflexos sobre todo o organismo, seja nas funções físicas
(somáticas, de soma = corpo), seja no comportamento psíquico.
Todas essas alterações estão
relacionadas com a função reprodutora. O óvulo que amadurece e é liberado
pelo ovário, todos os meses, representa a "esperança" biológica de
o organismo vir a gerar outro ser vivo semelhante. Correspondentemente, a
menstruação representa a "frustração" orgânica de não haver
ocorrido gravidez.
Durante a adolescência, o
aparelho genital "desperta". Com a primeira menstruação,
tecnicamente denominada menarca, a menina passa a ser moça, o que geralmente
ocorre por volta dos 11-13 anos, no Brasil. A partir daí, em condições
normais, o ciclo menstrual se repetirá em períodos de aproximadamente quatro
semanas, em média. Mas há mulheres que menstruam em períodos de 25 dias e
outras em períodos de até 35 dias.
O ritmo da menstruação pode
variar, numa mesma mulher, ao longo do período de fecundidade. Alterações
climáticas, fatores emocionais ou doenças poderão determinar essas variações,
geralmente temporárias.
PUBERDADE -
A puberdade marca o início da maturidade sexual. A palavra se origina do verbo
latino pubere, que significa "cobrir-se de pêlos". Na puberdade
desenvolvem-se outros caracteres sexuais secundários. As glândulas internas
sofrem alterações profundas de estrutura, conformação e funções. Ao mesmo
tempo, processam-se alterações de natureza psíquica, relacionadas direta e
indiretamente ao interesse sexual que desperta. A puberdade não é uma data. É
todo um período de vários anos, que corresponde ao tempo requerido para a
metamorfose parcial da menina em mulher. Em função desse processo gradual de
transformação, os limites inicial e final da puberdade são inevitavelmente
imprecisos. Mas o fenômeno dominante de todo o complicado processo é a
primeira menstruação, ou seja, a menarca. O fato de o fluxo menstrual
repetir-se regularmente faz com que se fale em regras, como sinônimo de
menstruação. A puberdade toda abrange um período pré-puberal, que no Brasil
começa geralmente aos 9 anos e termina com a primeira menstruação. Começa
então o período puberal, que vai até os 15-16 anos, quando a mulher atinge a
maturidade sexual em toda sua plenitude. A puberdade caracteriza-se, em seu início,
por uma fase de crescimento, sobretudo em estatura. Segue-se o início do
desenvolvimento: os seios começam a evidenciar-se. A bacia, ou pélvis, também
começa a diferenciar-se: os quadris estreitos da menina, iguais aos do menino,
tornam-se mais largos, de mulher. Paralelamente, características secundárias
tornam-se mais e mais acentuadas e diferenciadas, na maciez da pele, na
distribuição dos pêlos, no timbre da voz etc. Pouco depois de começarem a
crescer os pêlos pubianos e axilares, sobrevem a menarca, seguida da conclusão
do processo de transformações físicas e psíquicas. A maioria dessas alterações
no organismo da mocinha resultam da ação do estrógeno, um dos hormônios
fundamentais da mulher. É com o advento da puberdade que os ovários, até então
em repouso, iniciam a produção de estrógeno, que é lançado no sangue e
distribuído pela circulação para todo o corpo. A menarca, em si, não indica
que a mocinha tenha alcançado a capacidade reprodutora. A esterilidade fisiológica
da puberdade poderá prolongar-se por vários anos, após a primeira menstruação.
Já aos nove anos, podem-se
observar certas alterações nos ovários. Dos 12 aos 15 anos, eles aumentam
sensivelmente de volume juntamente com as trompas, que passam a apresentar
contrações semelhantes às do intestino, embora menos freqüentes. O útero,
por sua vez, cresce tanto, proporcionalmente, que chega a duplicar o pêso em
relação ao que apresentava na infância. Paralela é maturação ovariana,
ocorre intensa proliferação e diferenciação das células da vagina. A vulva,
até então exposta, torna-se encoberta pelos grandes e pequenos lábios
vulvares. Desenvolvem-se também o clitóris e as glândulas lubrificantes
chamadas glândulas de Bartholin. As mamas desenvolvem-se em parte, mas as
modificações não chegam a alcançar as glândulas que segregarão leite, o
que só acontece após o parto. Atrasos e adiantamentos da menstruação, na
puberdade, não deverão suscitar maiores preocupações: são perfeitamente
normais e exprimem apenas a crise da transição.
HIPOTÁLAMO & CIA.
- Todas as alterações cíclicas do aparelho
genital feminino são reguladas pela hipófise, glândula situada no meio da
base do cérebro, numa cavidade chamada "sela turca" (por causa da
conformação que lembra a de uma sela de cavalaria turca). A protuberância da
hipófise voltada para a frente, o lobo anterior, segrega vários hormônios.
Dois deles destinam-se especificamente a regular as atividades do aparelho
genital do homem e da mulher. Esses hormônios são iguais em ambos as sexos. Na
mulher, porém, a liberação é periódica, ao passo que no homem é continua.
Um dos dois hormônios - o folículo-estimulante ou FSH (sigla americana) -
estimula o amadurecimento do folículo, como o nome diz. Outro estimula a
transformação da polpa do folículo em corpo amarelo: é o hormônio
luteinizante, assim chamado porque o corpo amarelo também é conhecido como
corpo lúteo. Em medicina, o hormônio luteinizante é conhecido também como LH,
sigla americana igualmente internacionalizada. Na mulher ocorre ainda a produção
de um terceiro hormônio: a prolactina, fator básico da produção de leite após
o parto. Fora da gravidez, a prolactina mantém o corpo lúteo em secreção
durante o ciclo menstrual. O lobo anterior da hipófise fabrica e armazena tanto
o FSH (hormônio folículo-estimulante), quanto o LH (hormônio luteinizante) e
a prolactina. Mas só os libera quando recebe ordem de um misterioso órgão
situado no cérebro, o hipotálamo. O hipotálamo não é propriamente uma glândula,
embora secrete hormônios. É uma formação neuro-endócrina, que regula a ação
da hipófise mediante ordens ou "choques" nervosos e através da ação
química de substâncias por ele lançadas no sangue. O hipotálamo está para a
hipófise assim como o gatilho está para um revólver carregado. Os centros do
hipotálamo, por sua vez, estão subordinados a centros superiores do encéfalo
(cérebro). Isso explica porque uma emoção sofrida pela mulher pode provocar
algumas desordens de todo o mecanismo do ciclo menstrual. A mais conhecida das
manifestações desse tipo é a suspensão menstrual, que pode durar até meses.
Mas nesse caso a suspensão - chamada amenorréia hipotalâmica - não traz
nenhum prejuízo à saúde e portanto não deve determinar preocupação maior.
HORMÔNIOS E SEUS EFEITOS
- Sensíveis modificações ocorrem no organismo e
no comportamento psicológico da mulher, em função da atividade hormonal.
Quando, por influência do hipotálamo, a hipófise libera o hormônio folículo-estimulante
(FSH), esse hormônio vai estimular a maturação do folículo primário
ovariano, isto é, um dos milhares de folículos de que a mulher é dotada,
desde o nascimento. O folículo amadurece (quando então passa a chamar-se folículo
de Graaf). Dentro dele está imerso o óvulo. O folículo de Graaf acaba por
romper-se e liberar o óvulo, quando começa a formação do corpo lúteo a
partir do que resta do folículo. Três ou quatro dias depois completa-se o
corpo lúteo, que adquire então seu aspecto característico e acelera sua
atividade secretora, com produção maciça de progesterona, além de continuar
a secretar o estrógeno. No oitavo dia, a secreção atinge seu nível máximo.
Mas, se não ocorre a gravidez, inicia-se logo depois a regressão do folículo,
que começa a encolher-se a partir do oitavo ou décimo dia.
O endométrio, forro do útero,
divide-se em duas camadas distintas: a basal (de base) é uma estrutura
permanente, sobre ela assenta-se uma camada funcional, que sofre alterações cíclicas
e que se descama inteiramente durante a menstruação. No primeiro dia do ciclo
feminino, que é o primeiro dia da hemorragia mensal, a camada funcional se
apresenta fragmentada, num processo gradual que acabará por deixar a camada
basal inteiramente nua, após os três dias que geralmente dura a menstruação.
Nas trompas, o estrógeno promove a proliferação de células de revestimento
interno (tecido epitelial). Começam a verificar-se também lentas ondulações
rítmicas das trompas. Esses movimentos, na fase de ovulação, irão cooperar
na passagem do óvulo, em sua viagem rumo ao útero. A camada funcional do endométrio
começa a formar-se novamente, a partir do fim da menstruação. Do sétimo dia
em diante, volta a ganhar espessura, gradualmente, encharcada de sangue trazido
por numerosos vasos sangüíneos microscópicos. Quando se descamar, na próxima
menstruação, a camada funcional do endométrio levará consigo o sangue dos
vasos que a irrigam.
Quatorze dias antes do início
da mesntruação, chega o momento da ovulação, quando cessa a ação
independente do estrógeno e entra em cena outro hormônio proveniente dos ovários:
a progesterona. A progesterona geralmente não tem efeitos proliferativos, mas
apenas secretores. Isso significa que a camada funcional já não cresce (porque
suas células não se multiplicam mas apenas secretam muco, de função ligada a
possível gravidez).
No colo do útero, aumenta a
secreção cervical (de cervix, isto é, pescoço ou colo), já presente no início
do ciclo, mas que culmina nessa fase. A função desse muco é prover um meio líquido
que facilite a penetração de espermatozóides, visto que eles avançam em
movimento natatório. A partir do 26.° dia, começam a ocorrer diminutas
hemorragias nos interstícios da camada funcional do útero e, simultaneamente,
começam a morrer algumas células. Dois ou três dias depois, generaliza-se a
necrose da camada e toda a mucosa se desprende, fragmentada. Recomeça a
menstruação, com novo ciclo.
MENOPAUSA -
Depois de uns 400 ciclos menstruais completos, ou menos, se houver ocorrido
muitos períodos de gravidez, sobrevém o declínio sexual da mulher, o climatério.
A menopausa, ou interrupção permanente da menstruação, não o climatério em
si, mas apenas uma manifestação dessa crise. Afora esse sinal, o climatério
envolve profundas alterações orgânicas e psíquicas. Os ovários apresentam
crescente irregularidade, até a parada total da ovulação (os folículos
amadurecem, mas não se rompem e portanto não liberam óvulos). Com a redução
das secreções ovarianas, que são justamente a função de obstar a secreção
de FSH e LH, a hipófise dispara; disso resultam perturbações totais, em
circulo vicioso, particularmente com efeitos sobre o comportamento psicológico.
Mas a menopausa é um fenômeno transitório. O organismo acaba por ajustar-se
às novas condições, depois de alguns meses de crises. E começa então, para
a mulher, o mais produtivo dos períodos de sua vida, em termos de atividade
intelectual, criadora e objetiva, livre de perturbações emocionais que freqüentemente
lhe distorcem o julgamento. Sob esse aspecto, o climatério é altamente
positivo na vida feminina.
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