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O câncer de mama é
provavelmente o mais temido pelas mulheres devido à sua alta freqüência e
sobretudo pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção de
sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35
anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e
progressivamente.
Este tipo de câncer representa
nos países ocidentais uma das principais causas de morte em mulheres. As estatísticas
indicam o aumento de sua freqüência tantos nos países desenvolvidos quanto
nos países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS),
nas décadas de 60 e 70 registrou-se um aumento de 10 vezes em suas taxas de
incidência ajustadas por idade nos registros de câncer de base populacional de
diversos continentes. Tem-se documentado também, o aumento no risco de mulheres
migrantes de áreas de baixo risco para áreas de risco alto. Nos Estados
Unidos, a Sociedade Americana de Cancerologia indica que uma em cada 10 mulheres
tem a probabilidade de desenvolver um câncer de mama durante a sua vida.
No Brasil, o câncer de mama é
o que mais causa mortes entre as mulheres. Dos 284.205 novos casos de câncer
com previsão de serem diagnosticados em 2000, o câncer de mama será o
principal a atingir a população feminina, sendo responsável por 28.340 novos
casos e 8.245 óbitos.
Sintomas
O sintoma do câncer de mama, já
localmente detectável ao exame físico, é o aparecimento de nódulo ou caroço
no seio, com ou sem irritação e dor no local.
Fatores de
Risco
As causas de câncer de mama são
ainda desconhecidas. O histórico familiar constitui o fator de risco mais
importante, especialmente se o câncer ocorreu na mãe ou em irmã, se foi
bilateral e se desenvolveu antes da menopausa. Outro fator de risco é a exposição
à radiação ionizante antes dos 35 anos. A menopausa tardia (além dos 50
anos, em média) está associada a uma maior incidência, assim como a primeira
gravidez após os 30 anos de idade. No entanto, ainda não está comprovado se a
mulher que retarda intencionalmente a gravidez para depois dos 30 anos, tem
maior risco de que aquelas cuja gravidez não pôde ocorrer espontaneamente.
Continua sendo alvo de muita
controvérsia o uso de contraceptivos orais no que diz respeito à sua associação
com o câncer de mama. Aparentemente, certos subgrupos de mulheres, com destaque
para as que usaram pílulas com dosagens elevadas de estrogênios ou por longo
período de tempo, têm maior risco. Outro fator de risco é a ingestão regular
de álcool, mesmo que em quantidade moderada, que gera um aumento moderado do
risco de câncer de mama.
Detecção
Precoce
As formas mais eficazes para
detecção precoce do câncer de mama são o auto-exame das mamas (AEM), o exame
clínico (ECM) e a mamografia. As pesquisas indicam um impacto significativo do
Auto-Exame das Mamas na detecção precoce do câncer de mama, registrando-se
tumores primários menores e menor número de linfonodos axilares invadidos pelo
tumor (ou por células neoplásicas) nas mulheres que fazem este exame
regularmente. A sobrevida em cinco anos tem sido de 75% entre praticantes do AEM
contra 57% entre as não-praticantes. Esta vantagem na sobrevida persiste quando
se ajusta por idade, método de detecção, histórico familiar e demora na
aplicação do tratamento.
O
Auto-Exame das Mamas
O auto-exame das mamas, que é
o exame feito pela própria mulher, deve ser realizado uma vez por mês. A
melhor época é uma semana após a menstruação. Para as mulheres que não
menstruam mais, o auto-exame deve ser feito em um mesmo dia de cada mês à sua
livre escolha, como por exemplo todo dia 15.
As mulheres devem estar alertas para as seguintes observações:
- As mamas nem sempre são rigorosamente iguais
- O auto-exame não substitui o exame clínico de rotina, que deve ser anual
para mulheres acima de 50 anos de idade
- A presença de um nódulo mamário não é obrigatoriamente indicadora de
neoplasia maligna
- Em 90% dos casos é a própria mulher quem descobre alterações em sua mama.
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O Exame Clínico
das Mamas
O exame clínico é feito por
um profissional da saúde treinado, que faz uma avaliação sistematizada das
mamas. A eficiência do exame é proporcional ao grau de habilidade e experiência
do profissional para detectar qualquer anormalidade nas mamas examinadas. Ele
deve ser realizado anualmente, e o médico indicará a necessidade de mamografia.
A Mamografia
A mamografia é o exame radiológico
dos tecidos moles das mamas e é considerado um dos mais importantes
procedimentos para o rastreio do câncer ainda impalpável de mama. A
sensibilidade da mamografia é alta, ainda que, na maioria dos estudos feitos,
sejam registradas perdas entre 10 a 15% dos casos de câncer detectáveis ao
exame físico. A sensibilidade da prova é muito menor em mulheres jovens. A
mamografia, devido à sua pouca eficácia em mulheres com menos de 40 anos e
mais de 70, em termos epidemiológicos e de saúde pública, não deve ser
utilizada em programas maciços, e sim ser indicada no seguimento das mulheres
de alto risco ou com suspeitas de doenças mamárias.
O rastreamento do câncer de mama feito pela mamografia, com periodicidade de um
a três anos, reduz significativamente a mortalidade em mulheres de 50 a 70
anos. Nas mulheres com menos de 50 anos, existe pouca evidência deste benefício.
O Instituto Nacional de Câncer recomenda que o Exame Clínico das Mamas - ECM
seja realizado a cada três anos pelas mulheres com menos de 35 anos, a cada
dois anos pelas mulheres entre 35 e 39 anos e anualmente pelas mulheres entre 40
e 49 anos. As mulheres na faixa etária entre 50 e 70 anos devem submeter-se ao
exame anual ou semestralmente, sendo a mamografia indicada em casos suspeitos e
de alto risco.
Recomendações
do INCA para realização dos exames
| Idade |
AEM |
ECM |
Mamografia |
| acima
de 35 anos suspeita |
mensal |
pelo
menos a cada 2 anos |
pelo
menos a cada 2 anos |
| 35
a 39 anos suspeita |
mensal |
pelo
menos a cada 2 anos |
só
se houver |
| 40
a 49 anos |
mensal |
anual |
só
se houver |
| 50
anos ou mais |
mensal |
1
a 2 vezes por ano |
só
se houver |
APRENDA AGORA A FAZER O
AUTO-EXAME
DAS MAMAS
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Diante do espelho |
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Eleve e abaixe os braços,
observando se há alguma anormalidade na pele, alterações no formato
das mamas, abaulamentos ou retrações e feridas ao redor dos mamilos. |
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Durante o banho |
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Com a pele molhada ou
ensaboada, eleve o braço direito e deslize os dedos da mão esquerda
suavemente sobre a mama direita, estendendo até a axila, e procure por
caroços. Faça o mesmo na mama esquerda. Observe também, se não há
secreções pelos mamilos. |
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Deitada |
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Coloque um travesseiro debaixo do lado esquerdo do
corpo e a mão esquerda sob a cabeça. Com os dedos da mão direita,
apalpe a parte interna da mama, procurando por caroços. Inverta a posição
para o lado direito e apalpe a mama direita da mesma forma. Observe também,
se não há secreções pelos mamilos. |
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Com o braço esquerdo
posicionado ao lado do corpo, apalpe a parte externa da mama esquerda
com os dedos da mão direita. |
ATENÇÃO:
Caso você encontre alguma das
anormalidades citadas, lembre-se que é importante procurar um serviço médico:
os ambulatórios, postos e centros de saúde pública podem ajudá-la. Quanto
mais cedo melhor!
Além disso, caso você, por
qualquer motivo, procurar seu médico, peça-lhe para que examine também suas
mamas. E se for solicitada uma mamografia, exiga o selo de qualidade no relatório
do seu exame. Este é a garantia de um exame confiável.
Fonte:

INCA
- Instituto Nacional de Câncer
Ministério
da Saúde
www.saude.gov.br
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