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O aborto espontâneo, também chamado de aborto involuntário, é uma experiência
extremamente angustiante. Ocorre quando uma gravidez que parecia estar se
desenvolvendo normalmente termina de maneira abrupta, deixando a mulher
emocionalmente abalada. Para essa mulher, após o aborto, tudo o que restou é
dúvidas e um enorme sentimento de fracasso - o final doloroso de seus sonhos.
A perda de um bebê que não se desenvolveu ou nasceu é a perda de sonhos e
fantasias que foram feitas durante um longo tempo. Muitas vezes o sofrimento
dura mais que quando se perde uma pessoa conhecida, e médicos, enfermeiras,
amigos e familiares, na maioria das vezes, ignoram esse fato e não sabem como
lidar com o sofrimento que surge depois do aborto espontâneo.
A maré de sentimentos que vêm após o aborto pode ser enorme, pode conter
desespero, culpa, raiva, solidão, frustração, depressão e a sensação de que você
não tem e nunca teve o controle da situação. As mulheres ficam muito sensíveis
após passar por essa experiência e, geralmente, falta com quem se abrir e
compartilhar seus sentimentos. Depois de um aborto espontâneo a mulher fica tão
fragilizada que uma simples propaganda de fraldas na televisão, ou ver outras
mulheres com seus bebês nos braços, a deixa triste.
Cerca de 15 a 20% das gestações confirmadas terminam em aborto espontâneo, e
esse número pode chegar até a 50% de todas gestações, se contados os casos de
mulheres que nem sabiam que estavam grávidas.
O aborto espontâneo é quando a perda do bebê ocorre antes da vigésima segunda
semana de gestação - quando ele não está em condições de sobreviver fora do
útero materno, ou quando seu peso é inferior à 500g. A maioria dos abortos
espontâneos ocorre durante o primeiro trimestre, ou seja, nas primeiras 12
semanas de gravidez.
As causas exatas deste tipo de aborto são desconhecidas, entretanto cerca de 85%
das mulheres que sofreram um aborto espontâneo vão conseguir ter uma gravidez
normal e saudável após o ocorrido. Quando uma mulher sofre um aborto espontâneo
durante o primeiro trimestre, é muito comum que o médico não saiba determinar a
causa, mas, sem dúvida, a maioria dos abortos espontâneos ocorre quando a
gravidez não está se desenvolvendo normalmente e, em geral, não há nada que a
mulher ou seu médico possam fazer para impedir.
Dos fatores que comprovadamente provocam abortos espontâneos, o mais comum é uma
anomalia cromossômica. A maioria das anomalias cromossômicas é resultado de um
óvulo ou um espermatozóide defeituosos e a própria natureza se encarrega de
interromper a gravidez. Essas anomalias são mais comuns em mulheres acima dos 35
anos, por isso essas mulheres sofrem um maior risco de terem um aborto
espontâneo quando engravidam. Os outros são:
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Disfunções de tireóide;
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Má formação fetal;
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Idade da gestante;
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Má formação uterina;
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Má implantação do embrião;
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Incompatibilidade sangüínea (fator rh);
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Insuficiência de corpo lúteo (fator hormonal);
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Incompetência istmo-cervical (colo insuficiente).
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Um estudo realizado descobriu que as mulheres com infecções vaginais têm cinco
vezes mais chances de terem um aborto espontâneo no primeiro trimestre, daí a
necessidade de exames pré-concepcionais para garantir a perfeita saúde
ginecológica. Os hábitos da mãe também podem aumentar o risco no primeiro
trimestre. Segundo o resultado de vários estudos, mulheres que fumam, bebem ou
utilizam drogas, correm um risco ainda mais elevado.
O aborto espontâneo durante o segundo trimestre deve-se a problemas como,
incompetência istmo-cervical, má formação uterina, insuficiência de
desenvolvimento uterino, miomas, infecções do feto e de seus anexos. Infecções
maternas ou anomalias cromossômicas também podem causar um aborto espontâneo
mais tardio.
Um aborto espontâneo geralmente não põe em risco a saúde da mulher a menos que
tenha sido incompleto. Se um aborto incompleto não é diagnosticado e tratado, a
mulher pode sangrar e o tecido que permanecer dentro do útero pode causar
infecção.
Na ameaça de abortamento a paciente refere-se a dor pélvica + cólicas, podendo
ou não ser acompanhadas de sangramento.
A conduta clinica é repouso, às vezes absoluto, + medicação, acompanhamento
ultra-sonográfico e monitoração com exames de Beta HCG, entretanto cabe ao
médico a conduta a seguir, dependendo da gravidade de cada caso.
Se houver perda de materiais sólidos pela vagina, deve-se conservar para mostrar
ao médico.
No abortamento inevitável a paciente apresenta sangramento vaginal de qualquer
tonalidade ou intensidade + forte dor pélvica. No exame clínico observa-se a
presença de coágulos + permeabilidade do canal cervical e o exame
ultra-songráfico reforça o exame clínico.
No abortamento retido a paciente informa diminuição do volume, confirmado pela
US, cólicas e sangramento. Ele ocorre quando o embrião morre e não é eliminado
espontaneamente por contrações uterinas. Por causa do óbito embrionário, não vai
ocorrer desenvolvimento gestacional, havendo a necessidade da retirada do
conteúdo uterino realizando-se uma curetagem.
Na curetagem é feita a dilatação do colo do útero e com uma cureta (instrumento
de aço semelhante a uma colher) é feita a raspagem suave do revestimento
uterino, e dos restos presentes.
No abortamento infectado ocorre sangramento vaginal, secreção purulenta, febre e
até irritação peritoneal nos casos graves. A febre é em decorrência da
contaminação por bactérias.
Abortamento habitual ou de repetição é a perda de três ou mais gestações. Neste
caso, é necessário pesquisar fatores hormonais, infecções, má formação uterina,
miomas submucosos, incompatibilidade sangüínea (Combs) e incompetência
istmo-cervical.
O casal também deve ser pesquisado fora do período gestacional com espermograma,
cariótipo, histerografia, USTV, sífilis, toxoplasmose, clamídia, citomegalovírus,
corrimentos vaginais e etc.
Após um aborto, é recomendável que se aguarde no mínimo três meses para
engravidar novamente, pois este tempo é necessário para que o útero fique
preparado para receber uma nova gravidez, mas somente o médico poderá dizer se
este prazo é o suficiente ou se a mulher precisa de um prazo maior. Neste
período a mulher deve procurar formas de evitar a gravidez e aproveitar para
fazer todos os exames de rotina pré-concepcionais e também solicitar ao médico
um suplemento vitamínico de ácido fólico, que deve ser iniciado pelo menos três
meses antes de engravidar.
Se durante a recuperação de um aborto espontâneo sintomas como sangramento
abundante, febre, calafrios e dor abdominal intensa forem observados, a mulher
deve ir imediatamente ao médico.
Relações sexuais também devem ser suspensas por um período de 15 a 30 dias após
ter ocorrido o aborto, para evitar o risco de infecção.
A mulher não deve se culpar por ter abortado, pois o aborto é mais comum que se
imagina. É evidente que ela vai sofrer por um certo tempo e que o fato ficará
marcado para sempre na sua vida, mas o importante é reconhecer que não existe um
prazo determinado para a total recuperação emocional, e somente o tempo poderá
sarar as feridas provocadas pelo acontecimento.
É normal também que a mulher sinta a dor da perda bem mais intensamente e que
seu sofrimento dure mais que o do homem, pois a mulher passou pelo trauma
emocional e físico, mas é importante que o homem deixe seu orgulho e machismo de
lado e não esconda todos os seus sentimentos. Numa hora dessas é muito bom se
ambos conversarem e compartilharem de sua dor. Desta forma as feridas saram mais
rápido!
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