HORMÔNIOS E SEUS EFEITOS - Sensíveis modificações ocorrem no organismo e no comportamento psicológico da mulher, em função da atividade hormonal. Quando, por influência do hipotálamo, a hipófise libera o hormônio folículo-estimulante (FSH), esse hormônio vai estimular a maturação do folículo primário ovariano, isto é, um dos milhares de folículos de que a mulher é dotada, desde o nascimento. O folículo amadurece (quando então passa a chamar-se folículo de Graaf). Dentro dele está imerso o óvulo. O folículo de Graaf acaba por romper-se e liberar o óvulo, quando começa a formação do corpo lúteo a partir do que resta do folículo. Três ou quatro dias depois se completa o corpo lúteo, que adquire então seu aspecto característico e acelera sua atividade secretora, com produção maciça de progesterona, além de continuar a secretar o estrógeno. No oitavo dia, a secreção atinge seu nível máximo. Mas, se não ocorre a gravidez, inicia-se logo depois a regressão do folículo, que começa a encolher-se a partir do oitavo ou décimo dia.
O endométrio, forro que reveste o útero, divide-se em duas camadas distintas: a basal (de base) é uma estrutura permanente, sobre ela assenta-se uma camada funcional, que sofre alterações cíclicas e que se descama inteiramente durante a menstruação. No primeiro dia do ciclo feminino, que é o primeiro dia da hemorragia mensal, a camada funcional se apresenta fragmentada, num processo gradual que acabará por deixar a camada basal inteiramente nua, após os três dias que geralmente dura a menstruação. Nas trompas, o estrógeno promove a proliferação de células de revestimento interno (tecido epitelial). Começam a verificar-se também lentas ondulações rítmicas das trompas. Esses movimentos, na fase de ovulação, irão cooperar na passagem do óvulo, em sua viagem rumo ao útero. A camada funcional do endométrio começa a formar-se novamente, a partir do fim da menstruação. Do sétimo dia em diante, volta a ganhar espessura, gradualmente, encharcada de sangue trazido por numerosos vasos sanguíneos microscópicos. Quando se descamar, na próxima menstruação, a camada funcional do endométrio levará consigo o sangue dos vasos que a irrigam.
Quatorze dias antes do início da menstruação (ciclo menstrual padrão de 28 dias), chega o momento da ovulação, quando cessa a ação independente do estrógeno e entra em cena outro hormônio proveniente dos ovários: a progesterona. A progesterona geralmente não tem efeitos proliferativos, mas apenas secretores. Isso significa que a camada funcional já não cresce (porque suas células não se multiplicam mas apenas secretam muco, de função ligada a possível gravidez).
No colo do útero, aumenta a secreção cervical (de cervix, isto é, pescoço ou colo), já presente no início do ciclo, mas que culmina nessa fase. A função desse muco é prover um meio líquido que facilite a penetração de espermatozóides, visto que eles avançam em movimento natatório. A partir do 26.° dia, começam a ocorrer diminutas hemorragias nos interstícios da camada funcional do útero e, simultaneamente, começam a morrer algumas células. Dois ou três dias depois, generaliza-se a necrose da camada e toda a mucosa se desprende, fragmentada. Recomeça a menstruação, com novo ciclo.
MENOPAUSA - Depois de uns 400 ciclos menstruais completos, ou menos, se houver ocorrido muitos períodos de gravidez, sobrevém o declínio sexual da mulher, o climatério. A menopausa, ou interrupção permanente da menstruação, não é o climatério em si, mas apenas uma manifestação dessa crise. Afora esse sinal, o climatério envolve profundas alterações orgânicas e psíquicas. Os ovários apresentam crescente irregularidade, até a parada total da ovulação (os folículos amadurecem, mas não se rompem e portanto não liberam óvulos). Com a redução das secreções ovarianas, que são justamente a função de obstar a secreção de FSH e LH, a hipófise dispara; disso resultam perturbações totais, em circulo vicioso, particularmente com efeitos sobre o comportamento psicológico. Mas a menopausa é um fenômeno transitório. O organismo acaba por ajustar-se às novas condições, depois de alguns meses de crises. E começa então, para a mulher, o mais produtivo dos períodos de sua vida, em termos de atividade intelectual, criadora e objetiva, livre de perturbações emocionais que frequentemente lhe distorcem o julgamento. Sob esse aspecto, o climatério é altamente positivo na vida feminina.
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Matéria atualizada em 30 de maio de 2010 |
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