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A reprodução dos seres humanos, como a de outros animais de grande porte, depende sempre do coito de dois indivíduos sexualmente diferenciados.
Há nítidas diferenças nas características de ambos os sexos nas referidas espécies: o macho, que produz e inocula a semente (daí a palavra sêmen como sinônimo de esperma); e a fêmea, que recepta essa semente, alimenta-a e propicia ambiente favorável a seu desenvolvimento, até a completa formação do novo ser.
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O aparelho reprodutor feminino é incomparavelmente mais complexo que o masculino. Em ambos existem glândulas especializadas, que produzem as células sexuais - espermatozóides no homem e óvulos na mulher - e ainda segregam hormônios que são responsáveis pelas características sexuais.
O homem é fértil durante toda a sua vida sexual ativa. A mulher, ao contrário, apresenta períodos cíclicos de fertilidade. Tal diferença se deve ao fato de que o homem é capaz de "armazenar" os espermatozóides enquanto a mulher não pode faze-lo com os óvulos. Estes são eliminados depois de cada ciclo, com a menstruação, se não estiverem fecundados.
Cabe ainda ao homem a parte "ativa" na união sexual, uma vez que é o órgão masculino que injeta os espermatozóides no interior do aparelho feminino. E são ainda os espermatozóides que avançam em busca dos óvulos, durante a "viagem" destes pelas trompas.
O aparelho reprodutor masculino é mecanicamente simples. Trata-se de um equipamento produtor de células sexuais e do meio semilíquido pelo qual elas se encaminham para o exterior. Algumas tubulações que terminam no órgão ejetor, o pênis, completam o equipamento.
Na verdade, para funcionar normalmente, o sistema exige um delicado equilíbrio de diferentes estímulos nervosos e de glândulas de secreção interna. Normalmente, os órgãos genitais do homem produzem ininterruptamente as células sexuais. O homem tem apenas um período de fertilidade, que se inicia com a adolescência, e, às vezes, termina somente em idade muito avançada. A literatura médica registra casos de homens que se mantiveram aptos para a reprodução até com mais de noventa anos.
Não se deve confundir fertilidade com potência. Fertilidade é a capacidade de iniciar o processo de formação de um novo ser, pelo ato sexual. O termo potência indica tão-somente a capacidade de realização do ato sexual, seja fértil ou não. A potência envolve basicamente a ereção do pênis, somada à emissão de espermatozóides, sob estimulo sexual. A fertilidade refere-se à capacidade de o espermatozóide chegar ao óvulo e fecundá-lo.
Simplificadamente, o aparelho reprodutor masculino é formado pelos testículos, que são as glândulas sexuais, e por uma rede de tubos chamados vias espermáticas, os testículos são formações ovóides, com aproximadamente cinco centímetros de comprimento, que apresentam uma característica bastante curiosa: constituem as únicas glândulas endócrinas (de secreção interna) localizadas fora do corpo.
Os testículos ficam no interior de uma bolsa ou escroto, situada entre as coxas. Iniciam suas atividades por volta dos dez ou onze anos, produzindo a hormônio testosterona, responsável pelo desenvolvimento das características masculinas corporais. No fim da adolescência e início da juventude os testículos começam a desenvolver nova função: a produção dos espermatozóides que tornam o rapaz apto para a reprodução.
As vias espermáticas iniciam-se nos próprios testículos, formando uma extensa rede de condutos de calibre muito variável, que termina na uretra. Esta constitui o canal de paredes contráteis que comunica a bexiga com o exterior. A maior porção da uretra se encontra no interior do pênis. A uretra tem duas funções distintas; serve de conduto excretor para urina e esperma e para a mistura dos espermatozóides com líquidos segregados por glândulas do aparelho reprodutor.
Entre os testículos e a uretra, as vias espermáticas são formadas por diferentes estruturas como epidídimos, canais deferentes e canal ejaculador. Os epidídimos constituem estruturas genitais independentes e foram comparados, pelos anatomistas, a um pequeno verme no qual se distinguem cabeça, corpo e cauda. A cabeça, que recobre o pólo superior do testículo, é formada por um aglomerado de minúsculos canais que saem dos testículos, enrolados como novelos compactos.
O corpo do epidídimo é atravessado pelo canal sinuoso ao qual confluem os canais localizados à cabeça. Na cauda do epidídimo o canal sofre modificações e prossegue transformado no canal deferente. É no ponto de mutação que se localiza o reservatório de espermatozóides. Há muito tempo atrás, pensava-se que as células sexuais ficassem armazenadas nas vesículas seminais - um par de glândulas que fica por trás da bexiga - , mas tal conceito não era correto.
Os canais deferentes são a parte mais extensa dos canais espermáticos. De cada epidídimo emerge um canal deferente, que penetra na cavidade abdominal, fazendo a conexão com os órgãos externos ou o ducto ejaculador, que é uma estrutura intra-abdominal. A passagem do interior para o exterior é feita por meio de um "túnel" existente nas virilhas - o canal inguinal. Na porção inicial dos canais deferentes estão situados os chamados cordões espermáticos, formados pelos vasos deferentes, vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos.
Denomina-se ducto ejaculador um tubo que nasce na confluência dos excretores das vesículas seminais e dos canais deferentes. Tal denominação é imprópria, vista que essa estrutura não participa da ejaculação. Para que esta acorra outros mecanismos intervêm, como por exemplo, a contração da musculatura das vias espermáticas inferiores.
Na parte final dos canais deferentes os espermatozóides são embebidos na secreção das vesículas seminais e, na uretra, misturam-se à secreção da próstata. Daí para diante a ejaculação é auxiliada pela contração de vários músculos dos órgãos genitais. O ducto ejaculador, pequeno segmento das vias espermáticas, passa pelo interior da próstata, que é uma das glândulas anexas do aparelho reprodutor masculino, e liga-se à uretra, na parte em que ela atravessa a próstata.
Algumas glândulas do aparelho reprodutor masculino têm secreção externa (exógenas): são as vesículas seminais, a próstata e as glândulas bulbo-uretrais, localizadas no interior da bacia.
As vesículas seminais são dois sacos musculares alongados, com mais ou menos 7 centímetros de extensão, que formam um "V" na face posterior da bexiga e constituem prolongamentos ou desvios de circuito fechado dos canais deferentes.
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