Finalmente!!! Depois de longos meses já é possível ter seu bebê em seus braços. A gestação deve ter propiciado momentos para esclarecimento de dúvidas com o médico ginecologista e favorecido a prática do aleitamento materno através de conversas abertas e transmissão de conhecimentos para a mamãe e sua família.
O profissional de saúde realiza uma sondagem para averiguar o grau de motivação materna para amamentar seu bebê e, diante das evidências, trabalha de forma a mostrar os benefícios desta prática e as condições em que ela pode acontecer. São muitos os fatores que podem atrapalhar o aleitamento, mas estes são anulados se a mamãe quiser de fato amamentar e estiver com a saúde em dia. Retorno ao trabalho, “pouco leite”, fissuras e rachaduras, conformação dos mamilos, bebês com lábio leporino são algumas das dificuldades enfrentadas, mas todas elas têm solução e não há necessidade de facilitar o desmame precoce. Bicos artificiais de qualquer natureza devem ser evitados, principalmente ao sinal de qualquer dificuldade, até que o binômio mãe-filho seja avaliado pelo médico ou consultor em aleitamento materno.
Importante:
É de extrema relevância que a família ofereça apoio à nutriz, principalmente nos primeiros dias pós-parto, para que esta possa amamentar sobre livre demanda, sem preocupações, e tenha paciência para enfrentar as dificuldades e alcançar o doce prazer de amamentar.
Benefícios que o ato de amamentar traz
A sucção realizada pelo bebê para extrair o leite materno estimula a produção de hormônios prolactina e ocitocina no cérebro. A prolactina é responsável pela produção láctea e a ocitocina pela ejeção do leite, promovendo a involução uterina. Com isso, o órgão volta mais depressa ao seu tamanho normal.
O leite materno tem sempre a composição certa para cada fase do desenvolvimento do bebê, alterando-se à medida que a criança cresce. Ele é de fácil digestão, não faz o bebê engordar demais e ajuda a eliminação do mecônio de modo mais rápido. Além disso, previne alergias, doenças respiratórias, diarréias, anemias, desidratação, diabetes mellitus na vida adulta e está sempre na temperatura ideal e estéril, salvo algumas doenças maternas que contra indicam o aleitamento, como o HIV por exemplo. O leite materno contém anticorpos da mãe que passam para o bebê na forma de vacina natural, protegendo-o contra infecções.
O leite materno é econômico, pode ser transportado para qualquer lugar, a qualquer hora, sem necessidade de levar junto toda a parafernália de material para transporte, esterilização e conservação que uma mamadeira exige.
O que você saber sobre a amamentação
Nas primeiras 72 horas após o parto, seus seios produzem uma pequena quantidade de uma substância espessa, amarelada e transparente chamada colostro. O colostro é particularmente importante e valioso para o seu bebê, pois é riquíssimo em anticorpos que o protegem contra uma série de infecções, como a respiratória e a intestinal, e possui água e uma grande quantidade de proteínas. Portanto, recomenda-se que seu bebê mame imediatamente após seu nascimento para ser protegido destas infecções e para acostumar-se com a sucção do seio.
É comum o colostro demorar para aparecer ou o bebê se recusar a mamar nos primeiros contatos com a mãe, especialmente se for prematuro. Apesar da Iniciativa Hospital Amigo da Criança, infelizmente ainda há maternidades que oferecem fórmula infantil após o nascimento para evitar hipoglicemia, o que faz com que ele não tenha fome e disposição para sugar nas horas subseqüentes. Se esta situação persistir, é preciso solicitar avaliação da equipe de saúde antes que a reserva de energia do bebê se esgote.
Aproximadamente entre o quarto e o quinto dia pós-parto, o seio começa a produzir o leite. A partir daí, quanto mais o bebê mamar, mais leite será produzido pelas glândulas mamárias. O bebê fará uma refeição completa em três fases do leite, em uma mesma mamada: Na primeira fase o leite é mais “aguado”, pois predomina água para a sede, a segunda tem predominância de proteínas para o perfeito crescimento e desenvolvimento, e a terceira o leite é mais encorpado, pois há predominância de gordura para o ganho de peso.
Recomendações para uma amamentação correta
Amamentar não requer grandes preparativos. Tudo que você precisa fazer antes é lavar as mãos com água e sabonete, manter as condições de higiene do ambiente para preservar o bem-estar da mamãe e do bebê. É importante que seu filho seja amamentado em ambiente tranquilo, onde nem você, nem ele, sejam incomodados.
A amamentação deve ser feita com você sentada confortavelmente, envolvendo o bebê com seu braço de modo que a cabeça dele fique apoiada na dobra do seu cotovelo. É fundamental que não só a cabeça do bebê fique voltada para a mama, mas também todo o corpo, barriga com barriga, queixo e nariz devem tocar o seio. O bebê deve ser trazido em direção ao mamilo, com a boca bem aberta para que possa abocanhar toda a aréola, deixando o lábio inferior voltado para fora, à medida que é possível ver mais aréola acima do lábio superior, que do inferior, em uma “pega assimétrica”. Considera-se que a “boa pega” é o fator mais importante para prevenir problemas que levam ao desmame precoce.
Deve-se fazer um rodízio das mamas a cada mamada, para que o bebê possa se beneficiar de todas as fases do leite. Enquanto mama, o reflexo de ocitocina pode fazer com que a nutriz sinta o leite descer pelos ductos e haja vazamento de leite pela mama contrária.
O ideal é que as mamadas aconteçam sob livre demanda, de 2 em 2 horas ou de 8 a 12 vezes em 24 horas. Não se deve limitar o tempo das mamadas, pois cada recém-nascido tem seu próprio ritmo. Alguns mamam mais rápido, outros mais lentamente, sendo importante avaliar se o bebê está fazendo a sucção de modo suficiente para seu perfeito crescimento e desenvolvimento.
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