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O aborto espontâneo, também chamado de aborto involuntário, é uma experiência extremamente angustiante. Ocorre quando uma gravidez que parecia estar se desenvolvendo normalmente termina de maneira abrupta, deixando a mulher emocionalmente abalada. Para essa mulher, após o aborto, tudo o que restou são dúvidas e um enorme sentimento de fracasso - o final doloroso de seus sonhos.
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A perda de um bebê que não se desenvolveu ou não nasceu é a perda de sonhos e fantasias que foram feitas durante um longo tempo. Muitas vezes o sofrimento dura mais que quando se perde uma pessoa conhecida, e médicos, enfermeiras, amigos e familiares, na maioria das vezes, ignoram esse fato e não sabem como lidar com o sofrimento que surge depois do aborto espontâneo.
A maré de sentimentos que vêm após o aborto pode ser enorme, pode conter desespero, culpa, raiva, solidão, frustração, depressão e a sensação de que você não tem e nunca teve o controle da situação. As mulheres ficam muito sensíveis após passar por essa experiência e, geralmente, falta com quem se abrir e compartilhar seus sentimentos.
Depois de um aborto espontâneo a mulher fica tão fragilizada que uma simples propaganda de fraldas na televisão, ou ver outras mulheres com seus bebês nos braços, a deixa triste.
Depois de um atraso menstrual, algumas mulheres sangram e acham que menstruaram, mas na verdade estavam enganadas. Elas tinham engravidado e eliminaram o embrião recém-formado. Depois, engravidam novamente e levam a gestação até o fim, muitas vezes sem saber que tiveram um aborto que não deixou sequelas.
De certo modo, parece haver uma espécie de seleção natural associada ao abortamento espontâneo, especialmente se o mesmo ocorre até a oitava semana da gravidez. Em torno de 60% dos casos, os embriões apresentam alguma má formação ou alteração genética e são eliminados naturalmente. No entanto, há mulheres que apresentam abortamentos sucessivos, o que pode abalá-las emocionalmente e interferir no relacionamento do casal.
Muitas são as causas que explicam essa interrupção espontânea da gravidez, embora em alguns casos seja impossível determiná-las, mas para a grande maioria existe tratamento.
Considera-se abortamento quando a interrupção da gravidez ocorre até a 20ª, 22ª semana, ou seja, até o quinto mês de gestação. Além disso, é preciso que o feto esteja pesando menos de 500 gramas para definir o episódio como aborto espontâneo.
Entre a 22ª e a 36ª semana de gestação, a interrupção da gravidez é considerada parto prematuro, que pode ser espontâneo ou eletivo e iatrogênico, quando o obstetra precisa interromper a gestação por algum motivo especial.
O aborto é uma patologia muito frequente no ser humano. Desde o momento em que a mulher percebe que está grávida, ou seja, em que tem um atraso menstrual e o teste de gravidez dá positivo, a taxa de abortamento fica em torno de 15%. No entanto, se considerarmos o período anterior ao teste positivo, porque demora algumas semanas para isso acontecer, esses números podem chegar a 30% ou 40%.
Em torno de 30% ou 40% dos abortos, não se consegue definir nenhuma causa específica. Para os 60% restantes, é possível identificar a causa, em geral considerando o momento em que ocorreu o abortamento, se foi precoce ou mais tardio.
A "seleção natural" com certeza existe, e esse é um argumento que todos os obstetras utilizam para consolar o casal diante da decepção da gravidez interrompida. Quanto mais precoce o aborto, maior a possibilidade de o feto não estar bem formado. Estudos mostram que em 60% das gestações que não ultrapassam a oitava semana, há alguma alteração genética, principalmente cromossômica, como, por exemplo, a que está presente na síndrome de Down.
A ocorrência dos abortos é mais comum principalmente acima dos 35 anos de idade da mulher. É também nessa faixa etária que aumenta a possibilidade de má formações e anomalias fetais que levam ao abortamento espontâneo. Entretanto, não existem estudos que comprovem que há alguma relação entre abortamento espontâneo e a idade paterna. Atualmente, alguns estudos levantam apenas a suspeita de que a idade paterna possa estar relacionada com má formação fetal, principalmente com displasia esquelética, ou seja, má formação de ossos e do tamanho do tórax.
O abortamento pode ser esporádico, quando a mulher engravida e sofre um abortamento, mas depois tem duas ou três gestações normais, ou habitual, quando a mulher passa por três ou mais abortos sucessivos, os chamados abortos de repetição. Neste segundo caso a mulher passa a ser uma paciente que merece ser investigada.
No passado, só se pensava em estudar essas pacientes depois do terceiro episódio. Hoje, com o desenvolvimento da medicina, acha-se muito cruel esperar que ocorram três abortos para começar a investigação. Por isso se preconiza que, havendo disponibilidade de exames, a pesquisa comece depois do segundo aborto sucessivo.
Em se tratando de saúde pública, porém, isso não é fácil de realizar e a investigação das causas de abortamento começa, em geral, depois de três ou mais abortamentos.
Bem no início da gravidez, podem ocorrer abortamentos silenciosos difíceis de serem identificados. A menstruação ocorre depois de uns dias, às vezes, uma ou duas semanas depois da data prevista e o fato é interpretado como atraso menstrual e não como abortamento espontâneo. Em geral, esses abortamentos não são diagnosticados. São abortos subclínicos, muito precoces, e não há como comprovar que realmente ocorreram. Atualmente se acredita que sejam ligados à linha imunológica, à rejeição do hospedeiro contra o antígeno, ou seja, imunologicamente a mulher rejeita a gravidez porque o embrião é um corpo novo que se instala no organismo materno, que o reconhece como estranho e provoca sua eliminação.
A primeira medida para investigar a causa de três abortamentos consecutivos na mulher é inteirar-se da época em que ocorreu o abortamento, que é considerado precoce até a 12ª semana de gravidez, e tardio entre a 12ª e a 20ª semana. Se foi precoce, as principais causas são as genéticas (má formação fetal, má implantação do embrião e etc.), as infecciosas (toxoplasmose, rubéola e etc.), as imunológicas (incompatibilidade sanguínea) ou as de fator hormonal (disfunções de tireóide, insuficiência de corpo lúteo e etc.).
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